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Na China, arqueólogos encontram fábrica antiga de pigmentos

Produzindo ocre, uma ‘tinta’ muito usada, a fábrica parece ter sido usada intensamente por um curto período

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 02/03/2022, às 18h08

Imagem das escavações da 'fábrica' de ocre pré-histórica
Imagem das escavações da 'fábrica' de ocre pré-histórica - Divulgação / Fa-Gang Wang

Em um estudo publicado nesta quarta-feira, 3, no jornal acadêmico Nature, arqueólogos revelaram uma descoberta peculiar, que revela muito sobre a cultura dos povos antigos da China. Bem preservada, uma ‘fábrica’ de ocre, pigmento natural da argila, foi escavada, junto com centenas de ferramentas.

O sítio da escavação foi o de Xiamabei, na Bacia de Nihewan, no norte da China, e oferece muitas informações sobre as pessoas que moraram naquele local, cerca de 40.000 anos atrás. De acordo com o especialista Michael Petraglia, da Universidade de Griffith, são escassas as informações sobre populações chinesas da época.

“Ainda há pouquíssimo que sabemos sobre a China daquele período, e há argumentos que nossa espécie chegou lá há cerca de 80.000 a 100.000 anos atrás. Mas, poderiam ter uniões de povos, ou movimento com o tempo, e há 40.000 anos, nossa espécie estava na área e pode ter tido uma cultura distintiva, com esse ocre e essas ferramentas”, revelou.

No entanto, um dos aspectos que mais intriga os arqueólogos, de acordo com o portal The Age, é o fato de que parece ter sido abandonado subitamente. Petraglia relatou o sentimento: “É um sítio fascinante por causa do jeito em que encontramos as ferramentas, parece que foram tacadas no chão e todo mundo só foi embora”. 

O arqueólogo comparou o local a Pompeia, destacando que as aparências são a de que a fábrica foi enterrada rapidamente, após o intenso uso para a produção de ocre. Segundo Michael Petraglia, o local foi preservado tão bem especialmente por isso.

“Nós encontramos uma quantidade dessas ferramentas de pedra, fragmentos de ossos e uma lareira, em que fogo deveria ter sido aceso, mas, o que é o mais extraordinário é a área de processamento de ocre, que é única em várias maneiras. É quase como Pompeia, de uma forma. Foi usada por um tempo limitado, e então parece ter sido enterrada muito rapidamente, então foi preservada. Não parece que o sítio foi ocupado novamente com o tempo”, explicou.