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No Líbano, múltiplos bancos são destruídos no que foi chamado de "Noite do Molotov"

O país enfrenta corriqueiros protestos populares por conta das medidas econômicas do governo, que vêm se tornando cada vez mais violentos

André Nogueira Publicado em 29/04/2020, às 06h00 - Atualizado às 08h16

Uso de bomba incendiária
Uso de bomba incendiária - Wikimedia Commons

Em novos protestos contra a crise econômica e as medidas do governo no Líbano, ao menos doze bancos amanheceram destruídos e incinerados após o que foi chamado de a “Noite do Molotov”, em referência à famosa arma incendiária de manifestações. Cidades de Beirute, Sidon, Nabatieh, Bekaa, Trípoli e Akkar tiveram grandes atos em oposição à deliberada desvalorização da moeda libanesa.

O epicentro da violência ocorreu na cidade de Trípoli, no norte, onde a concentração de pobreza é enorme e o Exército assassinou um manifestante na noite anterior. A fabricação dos coquetéis molotov e a destruição dos bancos começaram ainda durante a tarde, e o confronto entre policiais e membros da população ocorreu durante toda a madrugada. Em Sidon, a principal agência bancária local foi atingida por mais de dez bombas de gasolina, com aplausos da multidão.

Manifestantes botam fogo em agência / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Desde o início do ano, a libra libanesa de desvalorizou em 50% devido medidas bancárias e governamentais que privilegiam moedas estrangeiras, com o controle do fluxo de capitais no país. A pobreza no Líbano já tomou metade da população o que se agravou com a pandemia da Covid-19. Segundo o ministro de Assuntos Sociais Ramzi Mousharafieh, mais de 75% da população precisa de auxílios estatais, mas eles demoram a acontecer por dureza do governo e pressões econômicas.

Policiais tentam apagar o fogo em banco / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Cada vez mais, as manifestações (que são repletas de famílias, crianças e idosos) vêm se tornando violentas, com a presença de bombas incendiárias apoiadas pela multidão. Nessa segunda feira, 27, um veículo militar foi incendiado em Beirute. Ao mesmo tempo, a repressão do exército aumenta em ritmo acelerado: "Eles estão atirando em nós para proteger os políticos", afirmou uma mulher em entrevista ao Al Jazeera. "Para o comandante do exército Joseph Aoun, dizemos que você deve ficar com o povo, não na nossa cara", afirmou outro.