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Novo estudo aponta o que teria causado a morte de Napoleão Bonaparte

Um estudo disponibilizado no site da De Montfort University apontou uma causa curiosa

Fabio Previdelli Publicado em 11/05/2021, às 11h02

Pintura de Napoleão em seu leito de morte
Pintura de Napoleão em seu leito de morte - Museu da Legião de Honra/Creative Commons/Wikimedia Commons

Na semana passada foi celebrado os 200 anos da morte do imperador francês Napoleão Bonaparte. Como explica matéria publicada pela equipe do site do Aventuras na História, após seis anos do fato, seu médico François Antommarchi declarou na autópsia que a causa de seu falecimento tinha sido câncer no estômago. 

Porém, em 1961, o diagnóstico foi contestado quando traços de arsênico foram encontrados em mostras de cabelo do imperador, o que poderia sugerir que ele tivesse sido envenenado. Porém, agora, um estudo da Universidade De Montfort de Leicester, na Inglaterra, sugere que Napoleão teria realmente morrido de câncer, mas por usar produtos do cotidiano. 

De acordo com uma análise feita pelo biomédico Parvez Haris, o francês teria desenvolvido a doença por usar óleos essenciais presentes em perfumes. Essas substâncias, segundo o pesquisador, teriam afetado os hormônios do corpo de Bonaparte — o que poderia acarretar tumores ou distúrbios severos.  

Isso se deu, pois a quantidade de colônia usada pelo imperador era extravagante, o que poderia piorar seu estado de saúde com o tempo. "A maioria das pessoas durante a era Napoleão tinha altos níveis de arsênico em seus sistemas por causa dos medicamentos contendo arsênio e cosméticos que usavam", disse em entrevista ao Mail Online.  

"O que eles perderam foram os enormes volumes de colônia que Napoleão sufocou em seu corpo", completa, dizendo que, certa vez, Bonaparte teria confundido perfume com água, e o passado em todo seu rosto e até mesmo nos olhos. 

"Napoleão foi um grande promotor de colônias, que entraram em produção comercial pela primeira vez em 1792. Naquela época, era apenas para os poderosos e os muito ricos e ele tinha dinheiro para isso", explica. 

Outro ponto que pode ter contribuído para esse excesso é que, segundo o biomédico, naquela época se acreditava que os perfumes poderiam ser benéficos para a saúde das pessoas, as protegendo de doenças e infecções, por exemplo. 

Para se ter uma ideia da relação de Bonaparte com os perfumes, o pesquisador diz que documentos do início do século 19 apontam que, todos os meses, o francês usava 50 frascos de perfume produzidos por Gervais Chardin.   

"Não há dúvida, em minha opinião, de que o Eau de Cologne era o principal veneno — embora a co-exposição a outros produtos químicos, incluindo o arsênico, deva ter contribuído para sua saúde precária e, em última análise, sua morte por câncer gástrico", conclui. 

O estudo completo pode ser consultado no site da De Montfort University.