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Há exatos 200 anos, morria o histórico imperador Napoleão Bonaparte

No dia 5 de maio de 1821, o último suspiro do líder militar deu início a um debate sobre sua morte que atravessou gerações e ganhou diversos capítulos com o passar dos anos

Joseane Pereira/Atualizado por Pamela Malva Publicado em 31/03/2020, às 07h00 - Atualizado em 05/05/2021, às 08h00

Pintura de Napoleão em seu leito de morte
Pintura de Napoleão em seu leito de morte - Museu da Legião de Honra/Creative Commons/Wikimedia Commons

"França, o exército, chefe do exército, Josefina." Essas teriam sido as últimas palavras do histórico imperador Napoleão Bonaparte, segundo narrou Andrew Roberts em seu livro, 'Napoleão: Uma vida' (em tradução livre), publicado em 2014.

Com uma saúde já bastante debilitada, o líder militar francês estava confinado há meses quando faleceu. Em fevereiro de 1821, pouco antes do fim, ele próprio se reconciliou com a Igreja Católica, talvez sentindo que o fim finalmente estava próximo.

Um dos personagens mais estudados da História, Napoleão teve sua trajetória definida em mínimos detalhes. Entretanto, existe uma questão sobre sua vida que permaneceu por bastante tempo envolta em mistérios: o grande estrategista militar teria morrido de câncer no estômago ou atavés de um envenenamento?

Pintura de Napoleão / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma polêmica centenária

Após ser derrotado na batalha de Waterloo, em 1815, Bonaparte foi exilado nos confins do Atlântico Sul, em uma pequena ilha chamada Santa Helena. Após seis anos, com o falecimento do general, seu médico François Antommarchi declarou na autópsia que a causa da morte tinha sido câncer no estômago.

Entretanto, tal diagnóstico foi contestado no ano de 1961, quando traços de arsênico foram encontrados em uma das mostras de cabelo de Napoleão. Isso acabou sugerindo a possibilidade de morte por envenenamento.

Para validar ou não essa hipótese, é importante entender o estado de sua saúde nos últimos anos. Em julho de 1820, o Imperador se queixou de grande desconforto abdominal, o que o levou a perda de apetite, vômitos e náuseas. Ele perderia ao menos 10 kg nos últimos anos de vida.

A primeira pintura feita por Jacques-Louis David / Crédito: Getty Images

 

Fatos consumados

Nos primeiros meses de 1821, Bonaparte se alimentava apenas de líquidos e passou a vomitar sangue, com sua condição piorando cada vez mais. Em 5 de maio daquele ano, aos 51 anos de idade, ele viria a falecer.

Sete médicos britânicos acompanharam a necropsia, e cinco deles assinaram o relatório oficial. O interior do seu estômago continha sangue e um endurecimento com 10 centímetros de extensão, e o tumor havia se espalhado pelos nódulos linfáticos.

O câncer estava em estado muito avançado e, na época, não havia auxílio algum para a doença; afinal, os primeiros tratamentos com quimioterapia só seriam desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial.

Retrato do Imperador Napoleão Bonaparte, 1804 / Crédito: Getty Images

 

Estudos modernos

Em 2011, o patologista forense Alessandro Lugli publicou um trabalho afirmando que a quantidade de arsênico encontrada em seu cabelo e na parede de sua última casa não eram suficientes para causar a morte.

Isso sem contar outros estudos que buscaram compreender a presença de arsênico nos cabelos do imperador. Em 2008, por exemplo, cientistas afirmaram que Bonaparte, assim como outros membros da sociedade da época foram contaminados com arsênico desde jovens, já que o composto poderia ser encontrado em tintas, colas e corantes.

Dessa forma, nunca ficou cientificamente confirmado que Napoleão Bonaparte foi morto por envenanamento. A resposta mais consolidada, na verdade, é que o estrategista teria realmente padecido de câncer estomacal, doença que já havia acometido seu pai e avô.


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