Notícias » África

Opositores do Governo sofrem torturas brutais em Uganda, aponta relatório

Na nação comandada por Yoweri Musveni, no poder desde 1986, críticos sofrem com choques elétricos, queimaduras e abusos sexuais

Fabio Previdelli Publicado em 22/03/2022, às 12h34

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa - Pixabay

No relatório "Uganda: Hundreds ‘Disappeared,’ Tortured”, publicado nesta terça-feira, 22, a organização Human Right Watch (HRW) denunciou que a oposição política do governo vem sendo reprimida de forma brutal em Uganda, sofrendo com tortura em centros de detenção ilegais. Desta forma, a HRW pediu para que esses centros sejam fechados:

A Human Rights Watch pede ao governo de Uganda que feche imediatamente as chamadas casas seguras e outros centros de detenção ilegais.”

A entidade também pediu para que os prisioneiros sejam soltos. Entre abril de 2019 e novembro de 2021, a entidade entrevistou 51 pessoas, incluindo 34 ex-detentos, testemunhas de sequestros e prisões, funcionários do governo, membros do parlamento, membros do partido da oposição, diplomatas, ativistas de direitos humanos e jornalistas na capital de Uganda, Kampala.

Conforme aponta o relatório, a ação truculenta contra opositores se tornou mais intensa entre os dois meses anteriores e aos posteriores às eleições que ocorreram no país, em janeiro de 2021. 

A HRW aponta que críticos e opositores do governo não só foram presos ilegalmente como muitos deles desapareceram — sendo que boa parte continua com seus paradeiros desconhecidos. Importante ressaltar que as eleições foram vencidas por Yoweri Museveni, que governa o país desde 1986. 

De acordo com as informações obtidas pela organização, os opositores são sequestrados e colocados em veículos conhecidos como “drones”. De lá, são levados para campos secretos de detenção, onde são supervisionados pelo serviço local de inteligência. 

Há relatos de pessoas que foram brutalmente torturadas, nas quais seus algozes arrancaram suas unhas, queimaram seus corpos com ferros e até mesmo abusaram sexualmente das vítimas. 

Muitos também foram algemados e suspensos no teto por diversas horas, já outros sofreram com injeções de substâncias desconhecidas, choques elétricos e com tijolos pendurados em seus testículos.