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Papa Francisco pede que empresas do ramo da tecnologia parem de ‘explorar fragilidade humana’

Em apelo realizado em sua rede social, o líder da Igreja Católica também falou sobre crise ambiental e vacina; confira

Penélope Coelho Publicado em 18/10/2021, às 14h23

Papa Francisco em 2015
Papa Francisco em 2015 - Getty Images

No último sábado, 16, o papa Franciscousou seu Twitter (@Pontifex_pt) para fazer um apelo. Dentre inúmeros pedidos, o líder da Igreja Católica mencionou as empresas de tecnologia e pediu para que os gigantes desse setor parem de “explorar a fragilidade humana e as vulnerabilidades das pessoas".

Essa não é a primeira vez que o pontífice menciona preocupação com os avanços da tecnologia, no último mês, o santo padre já havia pedido para que uma nova forma de “barbárie” fosse evitada pelos profissionais do Vale do Silício.

De acordo com o portal de notícias g1, esse não foi o único tema que o papa mencionou durante seu apelo virtual. Em sua rede social, Francisco ainda mencionou a necessidade de uma distribuição acessível de vacinas para a população mundial.

Além disso, o santo padre também fez um apelo contra a crise ambiental, para que a natureza não seja destruída. Também foram mencionados pedidos para que existam mais incentivos contra guerras e violências.


Confira o pronunciamento completo.

"Devemos dar aos nossos modelos socioeconômicos um rosto humano, porque muitos modelos o perderam. Pensando nestas situações, quero pedir em nome de Deus:

Aos grandes laboratórios, que quebrem as patentes. Realizem um gesto de humanidade e permitam que todo ser humano tenha acesso à vacina.

Aos grupos financeiros e aos organismos internacionais de crédito, que permitam aos países pobres garantir as necessidades de seu povo e perdoar aquelas dívidas que muitas vezes contraíram contra os interesses daqueles mesmos povos.

Às grandes empresas de mineração, petrolíferas, florestais, imobiliárias, agroalimentares, que deixem de destruir a natureza, de poluir, de intoxicar os povos e os alimentos.

Às grandes empresas de alimentos, que deixem de impor estruturas de monopólio de produção e distribuição que inflacionam os preços e acabam por impedir o pão ao faminto.

Aos fabricantes e traficantes de armas, que cessem totalmente suas atividades que fomentam a violência e a guerra, muitas vezes no tabuleiro de jogos geopolíticos, cujo custo são milhões de vidas e deslocamentos.

Aos gigantes da tecnologia, que parem de explorar a fragilidade humana, as vulnerabilidades das pessoas, para obter lucros.

Aos gigantes das telecomunicações, que liberem o acesso a conteúdos educacionais e o intercâmbio com os professores através da internet, para que as crianças pobres possam receber uma educação em contextos de quarentena.

Aos meios de comunicação, que acabem com a lógica da pós-verdade, com a desinformação, a difamação, a calúnia e com aquela atração doentia pelo escândalo e o túrbido; que busquem contribuir à fraternidade humana.

Aos países poderosos, que parem com as agressões, os bloqueios e as sanções unilaterais contra qualquer país em qualquer parte da terra. Os conflitos devem ser resolvidos em instâncias multilaterais, como as Nações Unidas.

Aos governos e a todos os políticos, que trabalhem pelo bem comum. Não ouçam somente as elites econômicas e estejam a serviço dos povos que pedem terra, casa, trabalho e uma vida digna em harmonia com toda a humanidade e com a criação.

A todos nós, líderes religiosos, que jamais usemos o nome de Deus para fomentar guerras. Estejamos ao lado dos povos, dos trabalhadores, dos humildes e lutemos juntos para que o desenvolvimento humano integral seja uma realidade. Construamos pontes de amor."