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Pesquisa brasileira está próxima de encontrar planeta similar a Terra

O instrumento Espresso tenta buscar um exoplaneta a 175 anos-luz daqui

Luíza Feniar Migliosi, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/08/2021, às 12h15

A missão Kepler da NASA descobre um mundo orbitando duas estrelas
A missão Kepler da NASA descobre um mundo orbitando duas estrelas - Getty Images

O estudo conduzido majoritariamente por pesquisadores brasileiros que foi aceito para publicação no Astronomical Journal mostra que estamos mais perto de descobrir planetas similares à Terra, segundo o jornal Folha de São Paulo.

Tendo como primeiro autor Yuri Netto, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o trabalho tem por objetivo testar a precisão do Espresso, instrumento que busca análogos terrestres, como exoplanetas com a mesma massa da Terra, em uma órbita similar com uma estrela como o Sol. O espectrógrafo está instalado no VLT, um telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile.

Pelo método de medição de velocidade utilizado, seria preciso atingir uma precisão de 10 cm/s. O espectrógrafo antecessor, o Harps, instalado em La Silla, no Chile, tem precisão de 1 m/s. Portanto, o estudo espera melhorar em dez vezes as medidas e, a essa altura, isso já é quase possível.

Os pesquisadores já conduziram, durante 60 noites, 24 observações da estrela HIP 11915, que foi escolhida por ser um gêmeo solar que tem um planeta análogo a Jupiter, descoberto por brasileiros com o Harps em 2015. O astro está localizado a 175 anos-luz da Terra na constelação da Baleia.

O tempo utilizado até agora para as medições ainda é muito limitado, já que, para confirmar a detecção, o planeta precisa completar ao menos uma volta inteira ao redor da estrela. Para um análogo perfeito da Terra, isso precisaria de cerca de 360 dias.

Com as observações feitas até esse momento, é possível que o Espresso consiga atingir a medição necessária para comprovar o estudo. A estrela HIP 11915 continua em evidência e, com as similaridades com o Sistema Solar, tem chances de ser o que os cientistas procuram há muito tempo: um planeta similar ao nosso e, talvez, habitável.