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Pessoas com visões políticas polarizadas são mais propensas a serem enganadas por perfis falsos, aponta estudo

Pesquisa feita nos Estados Unidos visa medir o impacto que todas essas postagens têm na vida de uma pessoa comum

Fabio Previdelli Publicado em 27/11/2019, às 16h49

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Imagem ilustrativa - Getty Images

Durantes os últimos anos, com a ascensão das redes sociais, o cenário político passou por uma enorme polarização de grupos ideológicos. Esse processo tem sido bastante evidenciado em solo brasileiro e americano.

Nas últimas eleições presidenciáveis dos dois países, grande parte dos eleitores foram bombardeados, nas mais diferentes redes, com matérias falsas que denegriam a imagem política ou as propostas de determinado candidato.

Acredita-se, desde então, que essa campanha virtual foi de grande valia para o resultado final dos pleitos. Mas qual será o real impacto desse fenômeno?

Pensando em responder essa questão, pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, fizeram um estudo para medir o impacto que todas essas postagens têm na vida de uma pessoa comum que utiliza as redes sociais.

Sabe-se que, em 2016 (ano das últimas eleições norte-americanas), a Internet Research Agency (IRA), empresa financiada pelo governo russo dedicado ao uso de contas falsas para circular post controversos em mídias sociais, produziu mais de 57.000 postagens no Twitter, 2.400 no Facebook e 2.600 no Instagram. A maioria delas com assuntos políticos polêmicos, como a brutalidade policial e a necessidade da vacinação infantil.

Ao analisarem as respostas de uma pesquisa feita pela YouGov em 2017, que contou com a participação de 1.239 usuários do Twitter — divididos entre republicanos e democratas — eles descobriram que cerca de 19% dos usuários foram expostos a postagens de uma conta da IRA e que 11% deles interagiram de forma direta com uma das públicações.

A maior consideração para determinar que um indivíduo interagiu com uma publicação, ou não, do IRA, foi se a postagem confirmava um viés político preexistente — que os pesquisadores calcularam analisando as tendências políticas de todas as outras contas que cada entrevistado seguia.

O estudo mostrou que não há evidências de que a exposição a opiniões fortemente expressas da parte contrária tivesse algum efeito sobre a alteração dos pensamentos ideológicos dos usuários do Twitter, ou seja, as pessoas usaram as mídias sociais para afirmarem algo que já acreditavam.

Com base na pesquisa, "os entrevistados com maior probabilidade de interagir com os perfis foram os menos suscetíveis a efeitos de persuasão, por causa de suas visões políticas mais enraizadas", afirmou um dos pesquisadores.

Os dados também mostram que os republicanos (partido político de Donald Trump) eram os mais propensos do que os democratas a se relacionarem com uma conta do IRA, embora essa diferença não seja estatisticamente significativa.

Apesar da relevância dos dados, os pesquisadores reconhecem que as descobertas da pesquisa são restritas ao contemplar apenas os republicanos e democratas, ignorando os 45% dos indivíduos que não se identificam com nenhum dos partidos.

“Os americanos são pessoas muito impressionáveis; eles veem o que querem ver '', disse Yevegeny V. Prigozhin, um dos apoiadores do IRA, em 2018, depois de ser listado como um dos 13 russos indiciados por interferência nas eleições presidenciais de 2016.

“Tenho muito respeito por eles. Não estou chateado com o fato de ter acabado nesta lista”, declarou Prigozhin. “Se eles querem ver o diabo, que eles o vejam”.