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Presidente de Cuba nega repressões contra ativistas durante protestos

No último domingo, 11, manifestantes ocuparam as ruas em um dos maiores movimentos antigovernamentais da história do país

Pamela Malva Publicado em 13/07/2021, às 10h00

Fotografias de Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba
Fotografias de Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba - Getty Images

No último domingo, 11, manifestantes realizaram protestos antigovernamentais em San Antonio de Los Baños, o maior já registrado na história de Cuba desde 1994. Agora, o presidente do país, Miguel Díaz-Canel, negou a repressão contra os ativistas na ocasião.

Em entrevista realizada nesta segunda-feira, 12, o político foi contra diversos vídeos gravados durante o protesto que mostram a intensa reação policial. Segundo o UOL, diversos manifestantes foram feridos no episódio e, agora, movimentos de oposição tentam compor uma lista com os nomes de pessoas detidas e desaparecidas.

Enquanto imagens de protestantes mostram um homem fardado abrindo fogo contra os ativistas no meio da rua, uma equipe enviada pela agência de notícias Efe presenciou o momento da detenção de um grupo de jovens que protestava pacificamente.

Para Díaz-Canel, todavia, as coisas não aconteceram dessa forma. "Eles já sugeriram que em Cuba nós reprimimos, assassinamos. Onde estão os assassinatos cubanos? Onde está a repressão cubana? Onde estão os desaparecidos em Cuba?", questionou.

Imagem dos protestos ocorridos no último domingo, 11, em Cuba / Crédito: Getty Images

 

Acontece que, ainda segundo o UOL, as autoridades de Cuba mantêm a conexão de internet móvel inativa no país. Com isso, as informações de qualidade são cada vez mais difíceis de acessar, já que grande parte da população do país não conta com conexão via wi-fi em casa, considerando que o serviço tem um preço bastante alto na região.

Em sua entrevista, contudo, o presidente também criticou a Organização dos Estados Americanos (OEA), instituição que ele afirmou ter um "discurso duplo padrão, mentiroso e interferente". Isso tudo porque o secretário-geral do órgão, Luis Almagro, teria condenado o "regime ditatorial" cubano por "convocar os civis a reprimir" os protestos.

Atualmente, Cuba enfrenta uma intensa escassez de medicamentos e de produtos básicos, bem como constantes cortes de energia elétrica em algumas regiões do país — isso sem contar a crise de negócios que apenas aceitam moedas estrangeiras.

Segundo o presidente do país, todavia, os protestos de domingo foram organizados por "mercenários pagos pelos Estados Unidos". Ainda assim, Díaz-Canel admitiu que as manifestações também contaram com a presença de cidadãos "confusos", movidos pela "falta de informações" verdadeiras sobre as dificuldades existentes no país.