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Sobreviventes lançam campanha para Facebook apagar posts de negacionistas do Holocausto

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o apelo de várias vítimas, incluindo a irmã caçula de Anne Frank, Eva Schloss

Vanessa Centamori Publicado em 30/07/2020, às 11h56

Prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald, durante o período do Holocausto
Prisioneiros do campo de concentração de Buchenwald, durante o período do Holocausto - Wikimedia Commons

Depois que o Facebook sofreu boicote por parte de anunciantes, que exigiam que a empresa deletasse postagens de ódio e violência, uma nova campanha foi lançada por sobreviventes do Holocausto. A exigência é que a rede social apague posts que neguem o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 

A iniciativa tem mobilizado sobreviventes do mundo todo, segundo informações do portal UOL. O nome mais conhecido entre os adeptos à campanha é o da irmã caçula de Anne Frank, Eva Schloss, que gravou mensagem conscientizacional em vídeo, junto a outras vítimas. 

Nas redes sociais, o movimento ficou conhecido pela hashtag #NoDenyingIt (#NãoTemComoNegar). No vídeo oficial da campanha, Schloss lamenta por ter perdido membros da família durante o Holocausto. "Muitos, muitos membros da minha família. Não tem como negá-lo! Eliminem do Facebook a negação do Holocausto", protestou a sobrevivente. 

Estima-se que o Holocausto tenha vitimado mais de 6 milhões de pessoas. Zuckerberg é judeu, entretanto, em 2018 afirmou que a empresa não bloqueará as publicações negacionistas, pois, segundo ele, os autores das postagens não estavam "intencionalmente equivocados", embora as mensagens fossem "extremamente ofensivas".

Em países como Reino Unido e Estados Unidos, onde a negação do Holocausto não é crime, a empresa de Zuckerberg faz uma análise individual dos posts, que varia de caso a caso. Já na Alemanha, França e Polônia, onde o negacionismo do genocídio é ilegal, o conteúdo será bloqueado, segundo um anúncio recente do Facebook. 

Respostas de grandes marcas como Coca-Cola e Adidas já vieram à tona, de modo que anúncios dessas empresas foram interrompidos para exigir uma postura mais firme da rede social. Por outro lado, o Facebook trabalhou recentemente para combater notícias falsas, deletando posts de Donald Trump e algumas contas de bolsonaristas, cumprindo uma decisão do judiciário que faz parte do inquérito das fake news.