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Terra e Lua foram bombardeadas com meteoroides há 800 milhões de anos, diz estudo

Impacto foi 30 vezes maior do que o asteroide que matou os dinossauros, mas colisões podem ter influenciado na vida de nosso planeta

Fabio Previdelli Publicado em 21/07/2020, às 16h26

Representação do meteoroide colidindo com a Terra
Representação do meteoroide colidindo com a Terra - Divulgação/ Universidade de Osaka

Uma chuva de meteoros gigante bombardeou a Terra e a Lua há 800 milhões de anos, com mais de 30 vezes a força do que o asteroide que matou os dinossauros, aponta estudo realizado por membros da Universidade de Osaka, no Japão.

A afirmação se deu após os cientistas analisarem as imagens tiradas pelo orbitador lunar de Kaguya e descobrirem que um enorme asteroide — com pelo menos 100 quilômetros de diâmetro — se rompeu e mergulhou no Sistema Terra-Lua, causando um profundo impacto na vida de nosso planeta.

Entretanto, ao contrário da Terra, nosso satélite natural não sofreu erosão, o que torna ainda mais fácil a identificação e o exame para datar com precisão as colisões de asteroides em sua superfície.

Com isso, a equipe japonesa chegou à conclusão de que as crateras nesses dois centros foram criadas ao mesmo tempo, há 800 milhões de anos, quando uma chuva de grandes meteoroides atingiu esses dois grandes centros.

O impacto criou crateras de cerca de 20 quilômetros de largura na Lua, entretanto, por aqui, acabou provocando tsunamis, incêndios florestais e introduziram grandes quantidades de fósforo — um elemento essencial da vida.

A equipe disse que essa chuva de asteroides deve ter atingido a Terra pouco antes do período Criogeniano, entre 720 e 635 milhões de anos atrás, iniciando assim um momento de grandes mudanças ambientais, o que pode até mesmo ter influenciado na vida da Terra.

"Nossa nova descoberta sugere que o fluxo de elementos extraterrestres pode ter influenciado os ciclos biogeoquímicos marinhos... graves perturbações no sistema climático da Terra e o surgimento de animais", disseram. O estudo completo foi divulgado na Nature Communications.