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Submerso no mar colombiano, tesouro de 20 bilhões de dólares gera disputa antes mesmo de ser resgatado

Governo da Colômbia e da Espanha disputam com outras empresas o direito à custódia do galeão de San José

Fabio Previdelli Publicado em 26/09/2019, às 08h00

Explosão do galeão San José
Explosão do galeão San José - Wikimedia Commons

A cerca de 600 metros de profundidade, na costa de Cartagena, na Colômbia, encontra-se o naufrágio que guarda um dos maiores tesouros subaquáticos do mundo e uma parte importante da história da Espanha e da Colômbia. Este é o galeão San José que tinha mais de 40 metros de comprimento e foi afundado na batalha de Barú pela frota britânica do Comodoro inglês Charles Wagner.

O San José havia acabado de carregar a riqueza do vice-reinado do Peru na feira de Portobelo (Panamá), quando em 8 de junho de 1708, bateu de frente com a Expedição. Após um enorme embate entre os dois navios, ouviu-se uma tremenda explosão vinda do navio espanhol, que desapareceu sob a água em poucos minutos.

Com ele, afundaram cerca de 600 pessoas e quantias enormes de ouro, prata e joias, que podem chegar a até 20 bilhões de dólares. A embarcação ficou perdida no fundo do oceano por séculos, mas em 2015 o governo colombiano anunciou que ele havia sido oficialmente localizado, graças ao REMUS 6000, um submarino robótico operado pelo Instituto Oceanográfico Woods Hole. 

Canhões fabricados pela Real Fábrica de Sevilha / Crédito: Reprodução


Agora, o galeão está no centro de uma disputa de custódia de diversas partes que reivindicam a riqueza naufragada. Os espanhóis reivindicaram parte do tesouro, assim como a tribo indígena boliviana dos Qhara Qhara, que detém terras das quais foram extraídas as riquezas.

Outra interessada é a empresa americana Sea Search Armada (SSA), que alega ter localizado o navio no começo de 1980 e dizem que tinha um acordo com o governo colombiano que prometia 50% do valor encontrado.

Este ano, o governo colombiano suspendeu assinatura de um contrato com outra empresa que previa a retirada do galeão do fundo do mar, já que essa parceria poderia fatiar ainda mais o tesouro do San José.

Peças de olaria e cerâmica que foram encontradas naufragadas / Crédito: Reprodução 


O historiador Francisco Muñoz, um especialista no galeão, defende que a reinvindicação do governo colombiano se concretize em um museu em Cartagena: “Quem não visitaria? Os visitantes ficariam absorvidos e obcecados com as histórias que ele contaria”, defendeu.

Porém, para tal sonho se tornar palpável, a embarcação ainda precisa ser retirada da água e os colombianos conquistarem a garantia que o galeão permaneça em suas fronteiras.

Ainda não se sabe o que vai acontecer com o San José, o que pode ser feito pelos colombianos nesse momento é imaginar todas as histórias que o navio carrega, assim como fez o escritor Gabriel García Márquez em seu consagrado romance Amor Nos Tempos de Cólera, no qual descreve em um dos seus personagens o anseio por mergulhar e recuperar as riquezas do San José por seu amor de uma vida inteira.