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Notícias / Estados Unidos

Última ‘bruxa’ de Salem é oficialmente inocentada após 329 anos

Elizabeth Johnson Jr. foi condenada injustamente por bruxaria e sentenciada à forca em 1693

Isabela Barreiros Publicado em 28/05/2022, às 11h28 - Atualizado às 14h08

Ilustração dos julgamentos das bruxas de Salem, de 1892 - Joseph Baker via Wikimedia Commons
Ilustração dos julgamentos das bruxas de Salem, de 1892 - Joseph Baker via Wikimedia Commons

A última “bruxa” de Salem, que ainda não havia sido formalmente absolvida após ser acusada injustamente de feitiçaria, recebeu seu perdão oficial de legisladores do estado norte-americano do Massachusetts na sexta-feira, 27.

Elizabeth Johnson Jr. finalmente teve seu nome limpo 329 anos depois de ter sido sentenciada à forca no ano de 1693, em um período considerado como o auge dos julgamentos históricos das “bruxas” de Salem.

Ela nunca foi executada por bruxaria, mesmo após ser condenada, mas também não foi oficialmente absolvida do “crime” como outras mulheres da época que haviam sido injustamente acusadas de bruxaria.

“Por 300 anos, Elizabeth Johnson Jr. ficou sem voz, sua história perdida com o passar do tempo”, afirmou a senadora estadual Joan Lovely, de Salem, ao The Guardian.

Segundo o Witches of Massachusetts Bay, grupo que estuda a história da caça às bruas no século 17, Johnson é a última “bruxa” a ser inocentada, após inúmeros pedidos de exoneração em mais de três séculos de acusação indevida.

Caso reconsiderado

A história da jovem foi revisitada no ano passado, curiosamente após uma turma de oitava série do colégio North Andover Middle School, em Massachusetts, estudar as medidas legislativas necessárias para limpar seu nome.

“Eles passaram a maior parte do ano trabalhando para obter este conjunto para a legislatura — realmente escrevendo um projeto de lei, escrevendo cartas para legisladores, criando apresentações, fazendo toda a pesquisa, analisando o testemunho real de Elizabeth Johnson, aprendendo mais sobre os julgamentos das bruxas de Salem”, explicou a professora da turma, Carrie LaPierre.

Após uma intensa pesquisa, os estudantes enviaram seus resultados à senadora estadual Diana DiZoglio, democrata de Methuen, que apresentou uma lei baseada nos estudos. A legislação foi anexada a um projeto de orçamento e aprovada.

“Nunca seremos capazes de mudar o que aconteceu com vítimas como Elizabeth, mas pelo menos podemos esclarecer as coisas. A história e a luta de Elizabeth continuam a ressoar muito hoje. Embora tenhamos percorrido um longo caminho desde os horrores dos julgamentos de bruxas, as mulheres de hoje ainda encontram seus direitos desafiados e preocupações descartadas, afirmou.

Para LaPierre, “aprovar esta legislação será incrivelmente impactante em sua compreensão de quão importante é defender as pessoas que não podem defender a si mesmas e quão forte de voz elas realmente têm”.

A “última” bruxa

Não se sabe muito sobre Johnson, apenas que ela tinha 22 anos quando foi acusada de bruxaria, que nunca se casou, nem teve filhos, e que viveu em uma área que hoje faz parte do norte da cidade de Andover.

Embora tenha sido sentenciada à forca, a pena nunca foi aplicada. Nos séculos seguintes, dezenas de pessoas condenadas foram inocentadas, incluindo a mãe da jovem, cuja condenação acabou sendo revertida.

Elizabeth, no entanto, não havia recebido seu perdão oficial até então — mais de três séculos depois. Ela havia apresentado uma petição de exoneração, em 1712, no tribunal de Massachusetts, mas não foi ouvida.

Foi excluída novamente em resoluções legislativas apresentadas tanto em 1957 quanto quase 45 anos depois, pela governadora Jane Swift, que havia adicionado mais cinco nomes ao pedido de exoneração.