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Viagra pode ser promissor para prevenir Alzheimer

Pesquisa foi conduzida com dados de 7 milhões de americanos e publicada na revista Nature Aging

Isabela Barreiros Publicado em 08/12/2021, às 13h35

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Imagem ilustrativa - Divulgação/Pixabay/PublicDomainPictures

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Medicina Genômica da Cleveland Clinic, dos Estados Unidos, analisou um banco de dados de mais de 7 milhões de americanos e sugeriu que o viagra pode ser promissor para prevenir a incidência de Alzheimer.

O medicamento é usado contra disfunção erétil e disfunção pulmonar, mas foi considerado um medicamento com potencial para ser usado como uma “droga candidata” para atuar na prevenção e tratamento da doença neurodegenerativa progressiva.

Segundo o estudo, que foi publicado na revista científica Nature Aging na última segunda-feira, 6, o uso do sildenafil foi relacionado a uma redução de 69% na incidência de Alzheimer, depois de um acompanhamento de 6 anos, quando comparadas às pessoas que não usavam o remédio.

A análise foi feita por meio de simulações de computador que rastrearam e validaram drogas aprovadas pela Food and Drugs Administration (FDA), a agência de saúde dos EUA, como medicamentos que poderiam ser usados para o tratamento de Alzheimer.

“O sildenafil, que demonstrou melhorar significativamente a cognição e a memória em modelos pré-clínicos, apresentou-se como o melhor candidato a medicamento”, disse o pesquisador Feixiong Cheng, líder da pesquisa.

Eles fizeram com que o principal ativo do viagra, o sildenafil, interagisse com outras proteínas relacionadas ao mal de Alzheimer apenas em simulações de computador e experimentos de laboratório. Por isso, os cientistas apontam que ainda é necessário um teste clínico com aplicação em voluntários.

“Este é um dos muitos esforços que apoiamos para encontrar medicamentos existentes ou compostos seguros disponíveis para outras condições e que seriam bons candidatos para os ensaios clínicos contra a doença de Alzheimer”, explicou Jean Yuan, diretor do programa de Bioinformática Translacional e Desenvolvimento de Medicamentos do National Institute on Aging (NIA), agência governamental financiadora do projeto.

Os pesquisadores também compararam os resultados de pacientes tratados com outros medicamentos; aqueles que usavam losartan para hipertensão arterial apresentaram redução de 55% de desenvolver Alzheimer quando receberam viagra.

Em relação à metformina e o sildenafil, quando as pessoas eram tratadas com viagra, apresentaram um risco 63% menor de desenvolver a doença; por último, pacientes que usavam o diltiazem, com prescrição médica para pressão alta, tinham redução de 65% para ter Alzheimer quando recebiam viagra.

“Notavelmente, descobrimos que o uso de sildenafil reduziu a probabilidade de Alzheimer em indivíduos com doença arterial coronariana, hipertensão e diabetes tipo 2, todos os quais são comorbidades significativamente associadas ao risco da doença, bem como naqueles sem”, afirmou Cheng.

As informações são do portal g1.