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Leide das Neves, a triste história de uma das vítimas fatais do acidente do Césio-137

Contaminada por alguns fragmentos do material, a criança de 6 anos foi uma das quatro vítimas fatais do trágico episódio

Pamela Malva Publicado em 13/09/2020, às 00h00

Fotografia da pequena Leide das Neves Ferreira
Fotografia da pequena Leide das Neves Ferreira - Divulgação/Youtube

Há 33 anos, 249 pessoas foram contaminadas pelo césio-137 em um dos acidentes mais emblemáticos do país. Foram vítimas inocentes que nem imaginavam a devastação que pequenas pedrinhas poderiam causar em seus corpos.

No dia 15 de setembro de 1987, Devair Ferreira comprou uma peça curiosa de chumbo e metal que continha a cápsula de césio-137. Dias mais tarde, o irmão dele, Ivo Alves Ferreira, levou alguns fragmentos da substância para casa.

Foi apenas em 24 de setembro que Leide das Neves Ferreira, a filha de Ivo, teve contato com o material. Com precoces 6 anos, ela acabou contaminada e foi uma das quatro vítimas fatais do acidente, tornando-se um símbolo do trágico episódio.

Fotografia da pequena Leide das Neves Ferreira / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Uma menina que sonhava

Gentil e extrovertida, Leide era uma menina sonhadora e não conseguiu aguentar a curiosidade quando colocou os olhos no césio-137. Apesar de misterioso, o material parecia brilhar e parecia ser o brinquedo perfeito para uma criança.

Naquele mesmo dia, enquanto a pequena brincava com a substância, a tia dela, Luiza Odet, também foi contaminada. “A Leide me chamou: ‘Titia, vem ver a pedrinha brilhante que o papai trouxe’”, lembrou a mulher em entrevista ao G1, em 2017.

Dentro do quarto, ela brincava com as pedrinhas ao lado do pai. Foi então que Ivo passou o papel em que tinha colocado o césio pelo corpo da prima, a fim de deixá-la bonita e brilhante — Luiza sofreu intensas lesões por onde o material foi arrastado.

Luiza Odet, a tia de Leide / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Dor e desespero 

No final, Leide, Ivo, Luiza e seu marido foram levados para o Hospital Marcilio Dias, no Rio de Janeiro, ao lado de outras 10 pessoas em quadros graves. Tamanha era a preocupação que, logo depois de sair de Goiânia, todos ficaram isolados.

Já no hospital, Luiza lembra que a jovem nunca deixou de espalhar sua animação pelo lugar. “Ela era muito alegre, brincalhona. Pegava uma bandejinha e fazia de conta que servia cafezinho nos quartos. Ia mancando porque tinha uma lesão na sola do pé”.

Segundo a tia da menina, Leide sempre sonhou em ser modelo. Mesmo pequena, ela tinha medo que seu cabelo não crescesse após a descontaminação — procedimento no qual a criança teve de raspar as madeixas para se livrar do césio-137.

Jornal da época noticiando a morte do pai de Leide / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Tragédia e devastação

No dia 23 de outubro de 1987, após lutar contra as lesões causadas pelo material, a pequena faleceu. Esposa de Devair Ferreira e tia da menina, Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos, também tornou-se uma vítima fatal do acidente.

Além delas, outros dois jovens faleceram: Israel Batista dos Santo, de 22 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18. Juntos, os quatro são os únicos contaminados pelo césio-137 que não resistiram aos ferimentos e aos danos em seus corpos.

Segundo Luiza, muitos outros familiares foram contaminados, mas conseguiram sobreviver. Ivo e Devair, por sua vez, carregaram a culpa por causar o acidente pelo resto de suas vidas e caíram em depressão. Entregues à bebida e aos cigarros, ambos vieram a falecer, anos depois do episódio.

Em 2017, nos 30 anos da tragédia, Luiza Odet lembrou que o caso "mexeu com o psicológico de todo mundo". Ainda em entrevista ao G1, ela diz fazer questão de se posicionar, para que o acidente que devastou sua família não caia no esquecimento. “Nós sofremos emocionalmente, fisicamente”, ela finaliza.


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