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Matérias / Inglaterra

A renúncia de Winston Churchill como primeiro-ministro, há 67 anos

O estadista conquistou o respeito da nação britânica durante sua atuação na Segunda Guerra, mas já não era mais o mesmo durante seu mandato seguinte

Redação Publicado em 07/07/2022, às 14h40

Retrato de Winston Churchill em março de 1945 - Central Office of Information / Domínio Público/ Via Wikimedia Commons
Retrato de Winston Churchill em março de 1945 - Central Office of Information / Domínio Público/ Via Wikimedia Commons

Boris Johnsonse tornou, nesta quinta-feira, 7, o quinto primeiro-ministro consecutivo da Inglaterra sair do cargo através de uma renúncia.

Seu governo passou por instabilidades quando ele participou de celebrações em meio à quarentena da pandemia de covid-19, e recebeu o golpe fatal após o político minimizar acusações de assédio sexual feitas contra um aliado parlamentar, Chris Pincher

Os últimos quatro antecessores de Johnson também renunciaram, seja devido à questões relacionadas ao Brexit, que é a saída da Inglaterra do bloco da União Europeia, ou impopularidade dentre os eleitores britânicos. 

Mesmo antes disso, houve uma série de renúncias, com as mais significativas tendo sido feitas por Margaret Thatcher em 1990, e Winston Churchill em 1955. 

Impactante 

Churchill marcou a História da Inglaterra com sua liderança durante o período delicado e complexo da Segunda Guerra Mundial. Ele foi eleito em maio de 1940, no mesmo dia em que as tropas nazistas alemãs invadiram a França, uma nação amiga. 

"Senti que toda a minha vida passada tinha sido uma preparação para essa hora e esse momento", teria relatado o político em diários pessoais, segundo repercutido pelo portal da International Churchill Society

O integrante do partido conservador teve um papel importante na consolidação da aliança que garantiu a Vitória contra a Alemanha, composta pelas poderosas potências da Grã-Bretanha, Rússia e Estados Unidos.

Encontro entre Churchill, Franklin Roosevelt (presidente norte-americano da época) e Josef Stalin / Crédito: Domínio Público

Ele foi responsável não apenas por uma série de decisões políticas e militares de relevância, como também usou sua habilidade para a oratória para manter relativamente elevados os ânimos da nação durante aquele período de incerteza. 

De forma curiosa, as ações de Churchill durante a guerra, embora tenham garantido seu legado, não garantiram uma reeleição.

Segundo relembrado pelo site do Instituto IWM, que administra diversos museus através do Reino Unido, após o fim do conflito, existia uma exaustão por parte da população em relação à mentalidade militar, um contexto que teria sido fundamental na vitória do Partido Trabalhista para o próximo primeiro-ministro. 

Assim, o estadista conservador só se viu retornando ao poder em 1951, em meio ao contexto da Guerra Fria.

Neste meio tempo, ele havia sido Ministro da Defesa, e permanecido ativo em sua vida política, aproveitando sua boa oratória para dar inúmeros discursos famosos, incluindo aquele em que descreveu a situação da divisão entre países comunistas e capitalistas como "uma cortina de ferro". 

Também lançou uma série de livros nomeada de "A Segunda Guerra Mundial", que foi dividida em seis volumes e lhe rendeu mais tarde um Nobel de Literatura. 

Renúncia 

Fotografia de Churchill / Crédito: Domínio Público

O segundo mandato de Churchill, iniciado em 1951, acabou tendo apenas um eco da relevância histórica do primeiro, devido principalmente à idade avançada e os problemas de saúde enfrentados pelo primeiro-ministro.

Inevitavelmente, em 1955, o conservador, então aos 80 anos de idade, precisou renunciar ao cargo, algo que não teria sido fácil para ele.

De acordo com o historiador Andrew Roberts, que escreveu a biografia "Churchill, caminhando com o Destino", o estadista descreveu o afastamento da política após décadas exercendo a profissão como uma "terrível reviravolta", e relatou aos seus amigos mais próximos que "estava sendo expulso do cargo" por seu partido. 

A despeito disso, na carta em que anuncia sua renúncia, possui um tom mais objetivo: 

Por algum tempo eu já não sinto que na minha idade é certo para mim me envolver em tantas e tão novas responsabilidades. É, portanto, necessário em nome do interesse público que meu sucessor assuma essas responsabilidades em breve, apresentando a si e às suas propostas para a Nação quando assim escolher", relata no documento, que foi repercutido pelo Business Insider em 2014.  

Memória não tão imaculada

Vale dizer que, embora uma enquete da BBC realizada em 2002 tenha eleito o político como o maior britânico de todos os tempos, nem todos os feitos do primeiro-ministro envelheceram bem, de forma que seu legado possui algumas controvérsias. 

Churchill era, por exemplo, frequentemente citava a 'inferioridade' de raças que não fossem a branca, o que pode ser identificado em suas críticas a indianos, afegãos e curdos.

A ideologia altamente racista do supremacismo já esteve por trás de muitos crimes de ódio e ideologias violentas, incluindo o próprio nazismo desenvolvido durante a Alemanha de Hitler, que foi derrotada durante o primeiro mandato do estadista.