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Aga Maomé Cã Cajar, o poderoso eunuco que fundou o Irã

Dotando de conhecimentos amplos de política, Cã Cajar foi uma das figuras mais importantes da história da Pérsia

Caio Tortamano Publicado em 09/04/2020, às 09h00

Pintura do xá Aga Maomé Cã Cajar
Pintura do xá Aga Maomé Cã Cajar - Wikimedia Commons

Nascido em 1742, no meio do conflito entre os clãs cajares Coiunlu e Develu, Aga Maomé Cã Cajar viria a ser uma das figuras mais importantes do Oriente Médio, pois seria ele que fundaria a dinastia que deu início ao Irã.

Por conta desse conflito familiar, o membro dos Coiunlu foi levado para viver na corte de Carim Cã, como em uma espécie de cativeiro. Nessa estadia, Aga Maomé Cã foi castrado, e tornou-se eunuco. Nas sociedades do Oriente Médio, esses homens eram confiados como conselheiros e até mesmo seguranças dos haréns.

Por mais que fosse um prisioneiro político, era tratado com muito respeito por Carim Cã. Aga Maomé sabia muito de política, e o dono da corte começou a pedir por conselhos e uma forte relação foi iniciada. Porém, meses depois, durante uma sessão de caça, Maomé Cã ficou sabendo que Carim havia morrido, depois de seis meses doente.

Sem seu amo por perto, reuniu um grupo de leais seguidores e foi em direção a Teerã (hoje capital do Irã). Na capital, Aga Maomé encontrou com o clã dos Develu, e fez um tratado de paz histórico entre as duas facções.

Palácio de Carim Cã, onde Aga Maomé morou durante um tempo

 

Depois, seguiu para Mazandarão, onde ele viria a tomar o controle dos Coiunlu, tendo que derrotar dois de seus irmãos para tal — sem matar nenhum. Depois da morte de seu irmão Morteza Coli, os súditos dele começaram a servir Aga Maomé.

Mazandarão agora estava sob o controle de Cã Cajar, território esse que teve que defender diversas vezes de ataques estrangeiros. Quando esses invasores eram derrotados, ofensivas contra suas terras eram realizadas, fazendo com que conquistasse Cumis, Semnã, Damghan, Shahrud e Bastam.

Esse foi o começo de uma longa lista de conquistas pelo Oriente Médio sob o comando de Aga Maomé Cã Cajar, mas sua pretensão era ser Rei do Irã, e para isso precisaria derrotar o então dono do trono, Lotfe Ali Cã.

Durante uma tentativa de conquistar a cidade de Xiraz, as tropas de Cã Cajar foram surpreendidas por Ali Cã, uma batalha se iniciou em 1789 e seguiu até as tropas de Aga cercarem Lotfe na própria cidade criando um cerco. Com indas e vindas para conquistar outros territórios, vez ou outra uma brecha era dada para Lotfe Ali Cã poder sair de Xiraz e cuidar de outras investidas militares.

Aga Maomé estava ocupado tentando conquistar o Azerbaijão, e Lotfe usou da oportunidade para atacar Ispaã, mas isso foi um tiro no pé. O governador de Xiraz, Ebraim Cã Calantar, era muito amado pela população, e organizou um golpe para proteger a cidade de Lotfe Ali Cã, quando este voltasse de sua investida militar.

E foi o que aconteceu, quando voltou para Xiraz, os habitantes se recusaram a abrir os portões. O irmão de Ebraim, Maomé Huceine de Xiraz, enviou um mensageiro para Aga Maomé pedindo o seu auxílio para proteger a cidade em troca de três mil cavalos, ao que ele aceitou.

Ebraim foi derrotado por Lotfe Ali Cã, e assim que ficou sabendo disso, Aga Maomé enviou sete mil homens de cavalaria ao local para enfrentar o rei, derrotando-o. Essa vitória fez com que se sagrasse detentor de grande parte do território iraniano, expandindo os domínios até territórios no norte e no sul do Cáucaso. Assim, se proclamou — o maior título hierárquico na política iraniana.

A unidade persa foi mantida em um nível que não era vista até seu mestre e amo, Carim Cã. O território atual do Irã é formado basicamente das conquistas de Aga Maomé Cã Cajar, que teve seu reino interrompido em 1797, quando foi assassinado em um ataque a cidade de Susa por dois de seus servos que se rebelaram com a decisão do xá em executá-los.


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