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Além do Titanic: George Beauchamp, o homem que sobreviveu a dois naufrágios

Depois dos terríveis episódios, o marinheiro ainda serviu na Primeira Guerra Mundial e trabalhou no mar até seus últimos dias

Pamela Malva Publicado em 18/07/2020, às 08h00

Fotografia de George Beauchamp e do Titanic zarpando
Fotografia de George Beauchamp e do Titanic zarpando - Wikimedia Commons

No dia em que se chocou contra o cruel iceberg, o Titanic era muito mais do que apenas um navio lotado de tripulantes. O transatlântico era um sonho, recheado de histórias e personalidades únicas, que ansiavam pela vida.

Aquela era a embarcação que estamparia revistas e jornais por meses, quebraria recordes e ficaria marcada na história das navegações. Pelo menos era esse o sonho de Bruce Ismay, o dono do navio. Era para ser uma experiência épica.

Sabemos, no entanto, que o final da história não foi nem um pouco parecido com a expectativa da tripulação. Dos pouco mais de 700 sobreviventes do naufrágio, restaram apenas histórias para contar e algumas experiências ainda mais traumáticas.

Um marinheiro de primeira viagem

George Beauchamp sempre foi um jovem muito simples, desde que nasceu em Totton, na Inglaterra, em março de 1888. Ao lado de mais cinco irmãs, o menino cresceu em uma família gentil e unida, mas sem muitos dotes.

Quando mais velho, começou sua carreira de marinheiro e, atraído pelas promessas do imponente RMS Titanic, aceitou um trabalho no transatlântico. À bordo do navio, como parte da tripulação, o navegante esperava receber cerca de £ 6 por mês.

Na noite do dia 14 de abril de 1912, já prestes a se deitar, George sentiu uma enorme quantidade de água chegando aos seus pés. Assustado, ele acordou apenas para descobrir que o navio estava afundando.

Um dos botes do RMS Tiranic / Crédito: Wikimedia Commons

 

O naufrágio

Em inquéritos posteriores à tragédia, George foi convocado para explicar cada passo que deu naquela noite. Aos investigadores, ele contou que correu para o primeiro andar da enorme embarcação e se posicionou no convés, a fim de ajudar os passageiros.

Ainda em seu testemunho, o marinheiro narrou que, em algum momento da madrugada, antes de afundar, o navio foi tomado por chamas. De seus superiores, ele recebeu ordens de combater o incêndio que se espalhava e assim o fez.

Com o fogo contido, George ainda ajudou dezenas de mulheres e crianças a entrar nos botes salva-vidas até que ele mesmo foi dispensado pelos tripulantes. Uma vez liberado, embarcou no bote número 13 e partiu com outros 60 ou 70 sobreviventes.

Mais tarde, George contou que o pequeno barco continha muitos homens e não contava com nenhuma lanterna. A embarcação do marinheiro só foi encontrada no dia seguinte, às 6h30 da manhã, pelo enorme Carpathia.

RMS Lusitania, o navio onde George serviu durante a Primeira Guerra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Trauma posterior

Poucos anos depois do naufrágio do Titanic, George decidiu servir na Primeira Guerra Mundial. À bordo do britânico RMS Lusitania, então, ele continuava navegando quando a tripulação cruzou o caminho de um submarino alemão.

No dia 7 de maio de 1915, o transatlântico foi atingido e afundado por um torpedo disparado pela Alemanha. O segundo naufrágio da vida de George era iminente e, assim como da primeira vez, ele sobreviveu sem sequelas.

Como soldado britânico, o marinheiro seguiu lutando na guerra e foi um dos militares que voltaram para após o conflito. Amante das águas, George continuou trabalhando como operário de carga em navios até que faleceu, em abril de 1965, aos 77 anos.


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