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Amazônia: as culturas avançadas que viveram mil anos antes da chegada de Cabral

Saiba mais sobre os impressionantes registros dos povos que já viviam no Brasil

Rui Dantas Publicado em 13/07/2020, às 16h36

Registro da Amazônia
Registro da Amazônia - Imagem de TNeto por Pixabay

Os registros mais antigos da presença dos homens na Amazônia foram descobertos pela arqueóloga norte-americana Anna Roosevelt, em 1996. Ela encontrou pinturas rupestres datadas de 11 mil anos, na região de Monte Alegre, PA.

Na região da Ilha de Marajó, uma importante civilização se desenvolveu entre os anos 400 e 1300 d.C. A civilização marajoara dominava a agricultura e possuía aldeias que chegaram a abrigar 5 ou 6 mil habitantes. Os marajoaras eram excelentes engenheiros e construíram aterros artificiais que se elevavam até 12 metros acima do solo.

“Esses aterros exigiam a mobilização de um grande contingente de mão de obra e uma liderança constituída e respeitada”, afirmou o arqueólogo Eduardo Neves, da USP. Tal requinte se refletia na criação de sua cerâmica.

De caráter cerimonial, seus desenhos correspondem ao mundo simbólico e religioso dos marajoaras. Eles desapareceram misteriosamente por volta de 1300.

Mas a superpotência da época era a civilização tapajônica, que ocupava a região da atual cidade de Santarém, PA. Mesmo depois do contato com os europeus, ainda era uma das maiores e mais poderosas nações indígenas da Amazônia.

Objetos de sua cerâmica foram localizados em lugares distantes, o que indica que havia contato intenso entre os tapajós e tribos vizinhas, incluindo comércio. Segundo Eduardo, havia um poder central exercido por chefe tapajó, reunindo várias tribos vizinhas. E algumas aldeias eram tão populosas que seus caciques podiam mobilizar até 60 mil homens para o combate.

 A Amazônia também foi o ponto de partida para a migração de um povo tecnologicamente avançado e conquistador, que levou ao declínio os brasileiros coletores e caçadores, e que se espalhou de forma inédita pelo país: os tupi.

Partindo de onde hoje ficam os estados de Rondônia e do Amazonas, eles deixaram a região em duas levas principais: os tupi-guarani desceram o Rio Paraná e chegaram à região sul; os tupinambá seguiram pelo Rio Amazonas até sua foz e, dali, rumo ao sul pela costa.

Eles viviam em grandes aldeias, cujas populações chegavam a ter milhares de pessoas. “Se organizavam em chefaturas, isto é, uma reunião de tribos em que algumas aldeias seriam mais importantes e teriam influência sobre outras”, explica o professor e historiador Paulo Jobim. Segundo ele, as aldeias funcionavam como cidades, com famílias inteiras, com tios, primos, pais, avós e filhos vivendo numa mesma casa.

“A hierarquia das tribos era baseada no parentesco”, diz. Os espaços comuns desses lugares, normalmente na área central, eram dedicados às práticas religiosas e sociais. Eles conheciam a agricultura, principalmente a de hortaliças, de mandioca e de milho, e produziam cerâmicas práticas, principalmente para cozinhar.

A guerra, além de demarcar territórios, era tida como oportunidade para o desenvolvimento de lideranças, que se baseavam sobretudo na coragem, na oratória e nos laços familiares.

 A expectativa de vida era curta, não ultrapassando os 40 anos de idade em média. Por isso, os mais idosos eram muito respeitados, ocupando papel de destaque na sociedade.

A divisão do trabalho também era feita por sexos: os homens caçavam, as mulheres coletavam, cuidavam das crianças e do preparo do solo para a agricultura. Além disso, eram as responsáveis pela produção da arte em cerâmica.

 “Os guarani eram um povo conquistador e exclusivista”, descreve o historiador Pedro Schmitz. “Seus parentes tornavam-se aliados, mas outros povos eram considerados inimigos e expulsos, dizimados ou incorporados, às vezes, literalmente, já que eram antropófagos.” Os nossos descendentes que estavam na praia, naquela manhã de 22 de abril de 1500.


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