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De uma pequena cidade alemã a cadeira elétrica: a saga da serial killer Anna Marie Hahn

A assassina de idosos era uma mentirosa compulsiva e viciada em jogos de azar, fazendo um inferno na vida de todos que cruzavam seu caminho

Paola Churchill Publicado em 08/01/2021, às 18h00

Retrato de Anna Marie Hahn
Retrato de Anna Marie Hahn - Wikimedia Commons

Anna Marie Hahn tinha a vida dos sonhos que qualquer adolescente almejava na pequena cidade de Baviera, Alemanha. Ela era a garota mais bonita da escola e sua abastada família realizava todos os seus desejos. Apesar de ser muito cortejada por diversos rapazes, a jovem não dava muita bola para nenhum deles.

Até que um dia, para a surpresa de seus parentes religiosos, revelou estar grávida do grande amor de sua vida, um médico vindo de Viena. Mas a situação seria, na verdade, trágica.

Ela contou para os pais que o respeitado médico mentiu durante toda a relação e quando soube da gravidez, simplesmente sumiu, a deixando sozinha - o que seria uma mentira. Até hoje, a identidade do pai do garoto é um mistério.

Diante de uma péssima reputação na cidade, seus parentes extremamente religiosos não queriam que o nome da família fosse manchado. Então, assim que o bebê nasceu, um menino chamado Oscar, Anna foi retirada da cidade pelos pais, em fevereiro de 1929.

Mentirosa compulsiva

Foi decidido que ela iria para os Estados Unidos, mas sem seu próprio filho, já que não teria condição alguma de criar uma criança sozinha. A viagem foi um dos piores momentos de sua vida.

A serial killer era consideram uma mulher bela e meiga / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Aos 22 anos, foi morar com seus tios em Cincinatti, Ohio. As mentiras só continuaram e tomaram enormes proporções. Após conseguir um emprego como ajudante de idosos, gostava de passar a ideia que estava sempre em uma ótima situação, e escondia a todo custo suas fragilidades e dificuldades que estava passando no novo país.

A matadora de velhinhos

Anna conheceu Phillipe Hahn que oferecia tudo bom e do melhor. De tão apaixonado, pediu a mão dela em casamento e disse que poderia trazer o filho para morar com eles. Assim, poderiam começar uma família juntos.

Em 1930, se casaram e Anna foi atrás do filho Oscar para tê-lo novamente em seus braços. Ela conseguiu, e na sua cabeça, tudo estava perfeito. Todavia, a mente maligna a impedia de viver uma vida tranquila.

E foi assim que iniciou seus crimes. Hahn trabalhou como cuidadora de idosos. Ernest Kohler foi sua primeira vítima. Hahn arrancava tudo que podia do homem, até a morte repentina dele, em 1933.

Anna com seu filho, Oscar/Crédito: Divulgação

 

Havia suspeitas que Kohler havia sido envenenado, entretanto, não foram encontrados vestígios de veneno no seu corpo, então, a morte foi declarada como natural devido sua idade já avançada. 

Kohler morreu sozinho, deixando sua casa a diabólica mulher que teve uma "brilhante ideia": continuaria na profissão. 

Assim acabou encontrando Albert Parker, de 72 anos. O modus operandi dela continuava o mesmo. Ela só precisaria conquistar a confiança do idoso para depois envenená-lo. E assim vitimou o senhor.

A criminosa poderia matar sem obstáculos. Até que se deparou com George Heiss, dono de uma mineradora que passou a chamar a cuidadora de “minha menina”. 

Os sócios de George o alertaram sobre a jovem. Chegaram a afirmar que ela não passava de uma interesseira. Era um choque de realidade muito forte para o senhor, que além de perceber que estava sendo roubado, notou que as moscas que chegavam perto de uma bebida oferecida pela cuidadora acabavam morrendo. George a demitiu.

O erro

Ninguém desconfiava que uma pessoa tão bonita, gentil e meiga poderia ser a vilã da história. Seus crimes nunca eram descobertos e Anna se sentiu invencível, até 1937, com a morte de George Obendoerfer.

Durante uma viagem que fizeram juntos, Anna fez sua última vítima. George caiu sem vida no quarto de um hotel, levantando suspeitas das autoridades.

Retrato de Phillipe Hahn ao lado de Oscar Hahn/Crédito: Divulgação/Youtube 

 

A autópsia de George revelou altos níveis de arsênico, o que deixou a polícia bastante desconfiada. Os oficiais decidiram exumar os corpos dos antigos clientes de Anna e mostraram que todos morreram da mesma maneira: envenenados. Uma grande quantidade de veneno também fora revelada na casa da criminosa.

Ela foi presa por suspeita de homicídio, mas continuava enganando as pessoas tentando passar uma imagem oposta ao que era acusada. Isso porque ninguém acreditava que uma mãe tão zelosa e carinhosa poderia ser macabra.

Apesar de negar friamente todas as acusações, Anna Marie Hahn foi condenada à morte na cadeira elétrica em Ohio. A sentença foi cumprida um ano depois, em 1938.


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