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Anjo do inferno: Anna Marie Hahn, a assassina de idosos

A serial killer era viciada em jogos de azar e fazia as mais diversas maldades para sustentar o vício – como botar fogo em sua casa e envenenar senhores ricos

Paola Churchill Publicado em 25/04/2020, às 08h00

Retrato de Anna Marie Hahn
Retrato de Anna Marie Hahn - Divulgação/Youtube

Anna Marie Hahn tinha a vida dos sonhos que qualquer adolescente almejava na pequena cidade de Baviera, Alemanha. Ela era a garota mais bonita da escola e sua abastada família realizava todos os seus desejos. Apesar de ser muito cortejada por diversos rapazes, a jovem não dava muita bola para nenhum deles.

Até que um dia, para a surpresa de seus parentes religiosos, revelou estar grávida do grande amor de sua vida, um médico vindo de Viena, chamado Max. Mas a situação seria, na verdade, trágica. Ela contou para os pais que o respeitado médico mentiu durante toda a relação e quando soube da gravidez, simplesmente sumiu, a deixando sozinha.

Era uma das primeiras das muitas mentiras contadas pela assassina. A família descobriu que, na verdade, aquilo não passava de uma invenção da menina, que não queria contar a eles que havia se relacionado sexualmente com um desconhecido.

Diante de uma péssima reputação na cidade, seus parentes extremamente religiosos não queriam que o nome da família fosse manchado. Então, assim que o bebê nasceu, um menino chamado Oscar, Anna foi expulsa da cidade, em fevereiro de 1929.

Mentirosa compulsiva

Foi decidido que ela iria para os Estados Unidos, mas sem seu próprio filho, já que não teria condição alguma de criar uma criança sozinha. A viagem foi um dos piores momentos de sua vida. A menina chorava de saudade todos os dias, no entanto, por mais estranho que possa parecer, ficou feliz de se livrar da cidade que era odiada.

A serial killer era consideram uma mulher bela e meiga/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Aos 22 anos, foi morar com seus tios em Cincinatti, Ohio. As mentiras só continuaram e tomaram enormes proporções. Após conseguir um emprego como camareira, Max e Anna Doeschel perceberam que a sobrinha gastava muito mais do que ganhava e quando foi questionada sobre a sua situação financeira, afirmou que o dinheiro ia todo para uma casa que estava construindo.

Ela gostava de passar a ideia que estava sempre em uma ótima situação, e escondia a todo custo suas fragilidades e dificuldades que estava passando no novo país. Após perceberam que a garota era uma mentirosa compulsiva, cortaram relações e nunca mais a procuraram.

A matadora de velhinhos

Todavia, ela também escondia um segredo: Anna era amparada por um homem mais velho rico, chamado Phillipe Hahn que oferecia tudo bom e do melhor, em troca de favores sexuais. O milionário era tão apaixonado, que pediu a mão dela em casamento e disse que poderia trazer o filho para morar com eles. Assim, poderiam começar uma família juntos.

Em 1930, se casaram e Anna foi atrás do filho Oscar para tê-lo novamente em seus braços. Ela conseguiu, e na sua cabeça, tudo estava perfeito. Todavia, a mente maligna a impedia de viver uma vida tranquila.

Anna desenvolveu um vício em jogos de azar e corrida de cavalos. Gastava enormes quantias em partidas. Para sustentar a nova rotina, colocou fogo no restaurante que tinha com o marido, apenas para conseguir o dinheiro do seguro. Ela fez o mesmo com sua própria casa.

A família Hahn se mudou para o casarão de Ernest Kohler, um idoso que alugava cômodos da sua mansão para não se sentir tão sozinho. Era o começo de um inferno: o senhor tornou-se sua primeira vítima. Eles começaram uma relação extraconjugal, e Hahn arrancava tudo que podia do homem, até a morte repentina dele, em 1933.

Anna com seu filho, Oscar/Crédito: Divulgação

 

Havia suspeitas que Kohler havia sido envenenado, entretanto, não foram encontrados vestígios de veneno no seu corpo, então, a morte foi declarada como natural devido sua idade já avançada. 

Kohler morreu sozinho, deixando uma herança milionária para a diabólica mulher que teve uma "brilhante ideia": ela iria se tornar babá de senhores da terceira idade ricos. Ela imaginou que assim poder seduzi-los e matá-los em seguida, e assim herdaria todos os bens.

Phillipe era contra a profissão da mulher, brigas constantes passaram a tirar o sossego dentro de casa, e os dois se separaram. Mas para o bem de Oscar, o homem não se afastou completamente. 

Assim, a criminosa poderia matar sem obstáculos. A próxima vítima era George Gsellman, dono de uma mineradora que passou a chamar a cuidadora de “minha menina”. Cego pela paixão, o empresário fazia tudo que ela queria, inclusive, tirava dinheiro da própria empresa para agradá-la.

Os sócios de George o alertaram sobre a jovem. Chegaram a afirmar que ela não passava de uma interesseira. Era um choque de realidade muito forte para o senhor, que além de perceber que estava sendo roubado, passou a lembrar de que passava mal toda vez que comia algo cozinhado por Hahn.

George a demitiu e disse que se ela voltasse, ele contaria tudo à polícia. Com medo, a assassina fugiu e encontrou seu próximo alvo: Albert Parker, de 72 anos. O modus operandi dela continuava o mesmo. Ela só precisaria conquistar a confiança do idoso para depois envenená-lo. E assim vitimou o senhor.

O erro

Ninguém desconfiava que uma pessoa tão bonita, gentil e meiga poderia ser a vilã da história. Seus crimes nunca eram descobertos e Anna se sentiu invencível, até 1937, com a morte de George Obendoerfer.

Durante uma viagem que fizeram juntos, Anna injetou uma alta quantidade de arsênico em sua comida. Obendoerfer começou a passar mal sozinho no quarto de um hotel barato no meio da estrada, enquanto sua amante se hospedou num luxuoso resort.

Retrato de Phillipe Hahn ao lado de Oscar Hahn/Crédito: Divulgação/Youtube 

 

Pensando melhor na situação, ela voltou e o deixou em um hospital próximo dizendo que ele era um indigente que encontrara na rua na rua e decidiu levá-lo ao médico. Foi em vão: Obendoerfer veio a óbito.

A autópsia de George revelou altos níveis de arsênico, o que deixou a polícia bastante desconfiada. Os oficiais decidiram exumar os corpos dos antigos clientes de Anna e mostraram que todos morreram da mesma maneira: envenenados.

Ela foi presa por suspeita de homicídio, mas continuava enganando as pessoas. Isso porque ninguém acreditava que uma mãe tão zelosa e carinhosa poderia ser tão macabra.

Apesar de negar friamente todas as acusações, Anna Marie Hahn foi condenada à morte na cadeira elétrica em Ohio. A sentença foi cumprida um ano depois, em 1938.


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