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A aposta em cavalos que ajudou no desenvolvimento do cinema

A disputa para saber se um equino tira os quatro cascos do chão durante seu galope fizeram com que Eadweard Muybridge revolucionasse pra sempre a história da fotografia

Fabio Previdelli Publicado em 06/02/2020, às 17h00

Foto tirada por Eadweard Muybridge que comprova que um cavalo tira os quatro cascos do chão durante um galope
Foto tirada por Eadweard Muybridge que comprova que um cavalo tira os quatro cascos do chão durante um galope - Getty Images

Em 1872, dois homens influentes nos ramos empresarial e político dos Estados Unidos entraram em desacordo por causa de uma corrida de cavalos. De um lado, estava Leland Stanford, ex-governador da Califórnia, ferrenho defensor de que em determinado momento, durante uma corrida, um cavalo seria capaz de tirar as quatro patas do solo e “flutuar” durante seu galope. Por outro lado, Frederick MacCrellish alegava que isso era impossível.

Por mais que eles olhassem atentamente para cada movimento do animal, era inconcebível que chegassem a um acordo. Para por um ponto final em qualquer dúvida existente, Leland financiou uma pesquisa de Eadweard Muybridge, um requisitado fotógrafo que ganhou notoriedade por registrar paisagens e padrões arquitetônicos — sendo chamado, inclusive, para tomar imagens de uma das expedições do exército dos Estados Unidos ao recém-adquirido território do Alasca.

Foto de Eadweard Muybridge / Crédito: Getty Images

 

Com o aporte financeiro do político, em 1878, Muybridge usou alguns lençóis brancos e um conjunto de câmeras que disparavam quando o cavalo passava diante delas por meio de um dispositivo elétrico, criado por John D. Isaacs.

A primeira tentativa bem sucedida aconteceu em 11 de junho daquele ano, quando foi utilizada uma série de 12 câmeras estereoscópicas, a uma distância de 21 polegadas uma das outras, que capturaram os 20 pés tomados por um galope de um cavalo. A técnica permitiu registros de milésimos de segundos diferentes.

Outra sequeência de fotos de Muybridge feita com 16 câmeras / Crédito: Getty Images

 

Essas fotos, que ficaram conhecidos como The Horse in Motion, ajudaram a comprovar a expectativa de Leland, e mostram que todos os cascos do animal ficam, por um instante, longe de um contato com o solo.

Ao exibir as doze fotos rapidamente, uma em sequência da outra, era possível ter a sensação de que as imagens ganhavam movimentos. Isso fez com que Muybridge criasse o zoopraxiscópio — uma máquina similar ao Zootrópio, mas que possuía movimentos mais realísticos. Esse conceito foi percursor do princípio básico usado no desenvolvimento do cinema.

Aclamado pelas audiências do público e dos cientistas, o invento de Muybridge chegou até a Exposição Universal de 1893, em Chicago. Lá, o fotógrafo deu uma série de palestras sobre a locomoção de animais. Havia também um enorme salão com seu zoopraxiscópio, que serviu para mostrar retratos em movimento para o público presente — o que fez com que a exposição fosse considerada o primeiro cinema comercial da história.

Zoopraxiscópio de Eadweard Muybridge
Simulação do Zoopraxiscópio / Crédito Wikimedia Commons

 

A carreira de Muybridge não se resumiu ao grande feito. Entre 1883 e 1886, ele fez um total de 100.000 imagens trabalhando sob o aporte financeiro da Universidade da Pensilvânia. Neste período, foram publicados 781 placas com 20.000 de suas fotografias em uma coleção chamada Animal Locomotion.

Um casal em movimento / Crédito: Wikimedia Commons


Muybridge realizou diversos estudos de movimento com inúmeros personagens diferentes, que iam desde pessoas descendo alguns degraus de uma escada até pássaros voando e um bisão galopando. Outras obras bem conhecidas de sua autoria são ‘Um Casal em Movimento’ e ‘Mulher Descendo as Escadas’.


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