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Até que a morte nos separe: Ida e Isidor Straus, o casal que fez questão de afundar junto no Titanic

Donos de uma das maiores redes varejistas dos Estados Unidos, o casal desrespeitou a ordem de saída e fez questão de se unir até o último suspiro

Wallacy Ferrari Publicado em 14/04/2020, às 12h31

O casal, em fotografia pessoal (à esq.) e uma fotografia do Titanic partindo (à dir.)
O casal, em fotografia pessoal (à esq.) e uma fotografia do Titanic partindo (à dir.) - Wikimedia Commons

Ida e Isidor Straus faziam questão de ser um casal movido pelo amor. Em 1871, oficializaram a união, se tornando influentes comerciantes de Nova York com investimentos e pequenas aquisições de sociedades em comércios locais. Juntos, passaram a edificar um império varejista.

Isidor, nascido na Alemanha, era o mais velho de cinco irmãos e havia se alistado ao Exército dos Estados Confederados e representado os negócios da família na Inglaterra antes de ser dono de seu próprio comércio junto ao irmão Nathan, nos EUA. A força como comerciante o tornou congressista entre 1894 e 1895, porém, interrompeu as atividades para se dedicar aos negócios.

Ida também havia nascido em solo germânico, porém, conheceu o marido em terras estadunidenses. Com ele, teve sete filhos entre 1872 e 1886 e uniu forças para comprar, junto ao cunhado, a varejista Macy’s, em Manhattan. Nas mãos do casal, a loja se tornou uma rede que crescia rapidamente em decorrência aos contatos com o exterior para melhores preços.

O casal representado em cena deletada do filme Titanic, de 1997 / Créditos: Divulgação

 

Em abril de 1912, não foi diferente; após uma viagem para a Europa através do navio HAPAG Liner Amerika, um cargueiro movido a vapor, o casal tratou de planejar a volta no RMS Titanic, que, devido a crise de carvão que os portos ingleses passavam pelo excesso obtido pelo famoso navio, a embarcação se tornou a única opção para a volta.

Instalados na primeira classe, nas cabines C55-57, aproveitaram a viagem em um cruzeiro mais confortável que o da ida para realizar as atividades recreativas disponibilizadas pelo navio e para edificar o amor do casal. O que não esperavam, no entanto, é que a opção mais segura se tornaria o momento mais trágico de suas vidas.

Juntos até o fim

Junto ao casal, o criado de Isidor, John Farthing, e a empregada pessoal de Ida, Ellen Bird, acompanhavam a viagem de maneira que auxiliasse o casal. Na noite de 14 de abril de 1912, o navio colidiu com a lateral de sua estrutura com um iceberg enquanto navegava pelo Oceano Atlântico. Conforme orientados, se vestiram e foram direcionados ao convés principal do navio.

As ordens davam a prioridade dos botes salva-vidas para crianças e mulheres, sendo preferível que por ordem de classe, priorizando os passageiros que havia pago passagens mais caras. Quando Ida notou que não poderia estar acompanhada do marido, por mais que tentasse. Registros de testemunhas que estavam no navio afirmam que Ida relutantemente afirmava que “como vivemos, assim morreremos, juntos”.

Entre os diversos barcos que saíam, Ida fez questão de dar seu lugar para sua empregada Ellen enquanto aguardava um bote que pudesse abrigar ambos. Comovido, um oficial chegou a obrigar a saída de um homem de idade de um dos barcos para abrigar Isidor sob condições especiais. Porém, o homem se recusou a sair, assim como Isidor, que recusou que o homem saísse, em respeito aos idosos.

Conforme relatam, o homem pedia para que a mulher fosse e que não se preocupasse, mas optaram por ficar. O casal foi visto pela última vez sentados na beira do convés, enquanto a água subia, na madrugada de 15 de abril. Quando os botes foram resgatados pelo RMS Carpathia, muitos passageiros, incluindo a empregada, fizeram questão de relatar aos repórteres a lealdade e fidelidade do casal Straus ao mundo.

Memorial do casal Straus na principal unidade da loja Macy's, nos EUA / Créditos: Divulgação / Twitter

 

O corpo de Isidor foi encontrado pelo navio CS Mackay-Bennett, contratado pela White Star Line somente para recuperar os corpos dos mortos no Titanic. Entre os 306 corpos recuperados, somente 190 puderam ser identificados pelo seu estado de conservação, sendo outros 116 devolvidos ao mar. Em 30 de abril de 1912, o navio retornou ao porto de Halifax com os corpos e os devolveu as famílias.

O corpo de Ida nunca foi localizado, no entanto, ambos tiveram um grande funeral e foram prestigiados por centenas de pessoas antes do enterro de Isidor. Dois anos depois, a Macy’s inaugurava a loja em Herald Square, ocupando um quarteirão inteiro e se tornando a mundialmente famosa “maior loja de departamentos do mundo”. O irmão Nathan, que na altura era o único proprietário, dedicou a construção ao casal.


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