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'Busquei uma abordagem realista': a saga da família real, segundo a série Brasil Imperial

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, o diretor Alexandre Machafer revelou fatos curiosos sobre a relação da família imperial brasileira

Victória Gearini Publicado em 25/02/2021, às 17h49

Elenco da série Brasil Imperial
Elenco da série Brasil Imperial - Divulgação / Fundação Cesgranrio

Lançada no fim do ano passado, a série Brasil Imperial, produzida pela Fundação Cesgranrio, resgata a trajetória da família real portuguesa, desde a vinda para o Brasil até os momentos emblemáticos no Novo Mundo.

Disponível no Prime Video — o serviço de streaming da Amazon — a primeira temporada da trama nacional foi dirigida por Alexandre Machafer e conta com um grande elenco. 

A história é narrada a partir do ponto de vista do jornalista e político Joaquim GonçalvesLedo, interpretado por Ricardo Soares. Além de contar a trajetória da família real, a série resgata diversos assuntos que fizeram parte deste período, como a escravidão. 

A produção 

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, o diretor Alexandre Machafer revelou que o trabalho de juntar as diferentes narrativas deste período foi um trabalho minucioso feito pelo roteirista Antônio Ernesto Martins

Gonçalves Ledo (ator Ricardo Soares) / Crédito: Divulgação / Fundação Cesgranrio

 

Para dar mais força a narrativa e se destacar das demais produções, o especialista optou por incluir outros personagens reais, como Gonçalves Ledo, Luís Antônio May, a princesa Amélia, o Marquês de Barbacena, Líbero Badaró e Evaristo da Veiga.

“Tem tanto sobre esses personagens que a gente pode falar, e apresentá-los ao público que não os conhecem, foi um acerto do roteirista, que fez total diferença. Mas óbvio, que toda história precisa de personagens fictícios para que você possa construir melhor o enredo. E então, parte daí a entrada dos personagens principais, os protagonistas, como a Ana do Congo e o Arrebita, que de fato, são fictícios, mas que ajudam nessa linha dramática do início ao fim”, disse Alexandre Machafer.

Já a caracterização dos personagens contou com uma equipe de profissionais, que tiveram que estudar os penteados de época, as maquiagens, as barbas, as roupas e muito mais.

“Contei com uma equipe incrível de caracterização, de figurino e de arte. Enfim, a produção como um todo, realmente fez um trabalho artístico que não deixa nada a desejar. Além disso, eu busquei uma abordagem realista e optei por não ter o sotaque português”, revelou o diretor. 

Princesa Amélia (atriz Louise Clós) / Crédito: Divulgação / Fundação Cesgranrio

 

Para Machafer, embora o curto prazo para filmar e finalizar a série, o resultado não deixou a desejar. “Foi um processo longo e muito árduo, muito pesado, com muitas locações e tínhamos que produzir tudo muito rápido, o que foi muito difícil, mas os personagens estão ali, o elenco está certo sobre o seu direcionamento e eu gostei muito do resultado”, acrescentou ele. 

A relação da família imperial

Outro ponto forte da trama é a humanização das personalidades que fizeram parte da história do Brasil. Para isso, a direção da série optou por apresentar as mais variadas emoções e conflitos internos e externos dos personagens 

“Fomos retratando esses momentos procurando trazer na atuação dos atores, a urgência e a sensação de perigo que envolviam essas pessoas. Não sei o que aconteceria, se por exemplo, D. João ficasse lá em Portugal com seu exército, ainda que inferior, mas com mais disposição, sinceramente não sei. Mas esse ambiente conturbado, de muita pressa, tendo que trazer livros, objetos da corte, o que era necessário trazer, uma travessia complicada, com escassez de água e comida, as pessoas passando mal”, explicou Machafer.

Líbero Badaró (ator Thiago Prado) / Crédito: Divulgação / Fundação Cesgranrio

 

De acordo com o diretor, durante a travessia, Carlota Joaquina e outras mulheres à bordo tiveram que raspar as cabeças, devido uma infestação de piolhos. “No século 21, nós não conseguimos nem imaginar o que eles passaram durante essa travessia, realmente é impensável. Mas, procuramos nos ater aos fatos e torná-los o mais realista possível na série”, disse ele.

Embora a relação entre a família imperial tenha sido muito complexa, regada de altos e baixos, a produção da série quis fugir deste retrato convencional já apresentado nos livros de história e por outras tramas. 

“A Carlota, ainda que tivesse essa fama de devassa, busquei apresentar outros aspectos dela e da relação com os filhos, que ao que parece, a maioria deles não eram de D. João, mas a certeza é de queD. Pedroera, já o restante, é difícil afirmar”, revelou Machafer.

Marquês de Barbacena (ator Miguel Oniga) / Crédito: Divulgação / Fundação Cesgranrio

 

O diretor disse, ainda, que acredita que é possível que o casal real se odiasse, mas o interesse político teria os mantido supostamente juntos. “D. João não queria de maneira alguma estar na presença da Carlota, que tentou de várias maneiras persuadi-lo, fez até um complô contra ele”, afirmou ele.

A segunda temporada

Embora a segunda temporada já tenha sido escrita, o roteiro precisa passar por uma última revisão geral. Além disso, devido a pandemia do novo coronavírus, as gravações foram prejudicadas. Contudo, Machafer afirmou estar otimista com a retomada da trama.

Ana do Congo (Jéssica Cores) e Arrebita (Oscar Calixto) / Crédito: Divulgação / Fundação Cesgranrio

 

“Estou muito ansioso com isso, mas é necessário estar todo mundo vacinado para que a gente consiga retomar as filmagens com segurança. É um outro elenco, com muitos atores, uma produção ainda maior, até porque abordaremos um novo período histórico. É uma demanda grande, de tempo e dinheiro, para que a gente tenha a tranquilidade de poder produzir”, disse ele. 

Com relação ao que o público pode esperar da segunda temporada, o diretor afirmou que a nova parte da trama está repleta de conflitos, potencializando ainda mais, a questão da escravatura neste período. Além disso, terá um enfoque especial ao reinado do filho de Dom Pedro I.

“O segundo reinado, traz um grande desafio, pois é um reinado muito rico e muito desafiador. D. Pedro II foi um cara incrível, e retratá-lo com fidelidade, veracidade, vai ser um desafio enorme para mim e para a produção. Mas com essa equipe maravilhosa que nós temos, eu tenho certeza, que vai dar tudo certo”, revelou Machafer entusiasmado.


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