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Caso Dreyfus: há 122 anos, a fraude contra um general francês judeu era revelada

Para proteger um segredo de guerra, o Exército Francês condenou um de seus homens — seguindo a onda de antissemitismo que assolava a Europa

Joseane Pereira Publicado em 13/01/2020, às 09h00

Alfred Dreyfus, oficial francês condenado injustamente
Alfred Dreyfus, oficial francês condenado injustamente - Getty Images

No dia 13 de janeiro de 1898, o escritor Émile Zola revelava ao público francês uma grande farsa. Denunciando o Tribunal e o Alto Comando Militar da França, Zola publicou no jornal L’Aurore uma longa carta revelando a fraude contra Alfred Dreyfus.

Denominada J’accuse! (Eu Acuso!), a carta revelava que o exército condenou Dreyfus à prisão perpétua baseado em documentos falsos, e acobertado por ondas de nacionalismo e xenofobia.

O caso Dreyfus

Interrogatório de Alfred Dreyfus (1859-1935) em seu julgamento, em Rennes / Crédito: Getty Images

 

Era 1894 quando o capitão de artilharia Alfred Dreyfus foi acusado de vender informações secretas aos alemães. Condenado pelo seu próprio exército e sofrendo com as ondas de antissemitismo que assolavam a Europa, Dreyfus foi sentenciado à prisão perpétua na Guiana Francesa e acabou ficando isolado por quatro longos anos, até que muitas vozes se levantassem para defendê-lo.

A acusação foi feita 24 anos após a Guerra Franco-Prussiana, quando a França já tinha conseguido se reconstruir e experimentava um período de florescimento cultural e econômico, no contexto da Belle Époque. Os franceses temiam que uma nova guerra contra a Alemanha abalasse a prosperidade do país, e colocavam toda sua confiança nas Forças Armadas.

Carta "J’accuse!", publicada pelo escritor Émile Zola / Crédito: Getty Images

 

A acusação de Dreyfus veio da necessidade em proteger segredos estratégicos. Um novo e poderoso canhão de guerra estava sendo construído, mais eficiente que qualquer arma do Exército Alemão. Para resguardar essa informação, os franceses criaram uma série de documentos falsos sobre outra arma, que deveriam ser entregues aos alemães por um “espião”.

Para que a mentira funcionasse, tanto os documentos quanto o espião deveriam ser “apanhados”. E a vítima escolhida foi o introvertido Dreyfus, membro de uma família de industriais judeus-alemães e que já era visto com desconfiança entre seus pares.

Inocente

Quatro anos depois, personalidades resolveram levantar a voz contra essa fraude. Mudando a opinião do povo ao provar que o exército falsificara documentos, a carta de Émile Zola — junto a denúncias do poeta Charles Péguy e de compositores como Alfred Bruneau — levou Dreyfus a deixar a prisão, e em julho de 1906 sua inocência foi oficialmente reconhecida.

Em 15 de outubro do mesmo ano, Dreyfus assumiu o comando da artilharia de Saint-Denis, se aposentando anos depois para viver de maneira discreta em Paris e falecendo em julho de 1935, aos 76 anos. Apesar de todas as provas que o inocentavam, o Exército Francês continuou por muito tempo a acusá-lo como traidor.


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