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Com cabelos intactos: a múmia da princesa egípcia Duathathor-Henuttawy

Encontrada com faraós e rainhas na tumba de Deir el Bahri, a filha de Ramsés XI teve todo o ouro de seu caixão roubado

Isabela Barreiros Publicado em 02/05/2020, às 07h00

A múmia da princesa Duathathor-Henuttawy
A múmia da princesa Duathathor-Henuttawy - Wikimedia Commons

A técnica de mumificação impressiona até hoje pelas possibilidades geradas pela prática. Manter quase intacta a fisionomia de pessoas que viveram há milhares de anos serve muito bem aos propósitos de se entender melhor como esses indivíduos viveram no passado. No Egito Antigo, onde o método atingiu seu ápice, isso foi e continua sendo muito importante.

Conhecemos muitos faraós e membros da realeza egípcia por meio de suas múmias, tumbas e pirâmides. Entre os mais famosos, os corpos mumificados de Tutancâmon, Ramsés II e Aquenáton, por exemplo, foram imprescindíveis para os estudiosos. Mas os menos conhecidos, no entanto, ainda exercem a mesma relevância para a pesquisa.

Princesa do Egito

Duathathor-Henuttawy / Crédito: Wikimedia Commons

 

Duathathor-Henuttawy, que também respondia por Henuttawy ou Henttawy, tinha para o seu nome o significado de “Adoradora de Hathor” ou ainda “Senhora das Duas Terras”. Princesa egípcia, e, posteriormente, rainha, provavelmente foi filha de Ramsés XI, último faraó da 20º dinastia durante o Império Novo, e sua esposa, a rainha Tentamun. Eles teriam governado entre cerca de 1099 e 1070 a.C.

Acredita-se, ainda, que ela tenha sido casada com Pinedjem I, o Sumo Sacerdote de Tebas, que, tempos depois, se autoproclamou faraó, e passou a governar de fato a parte sul da região, a partir de 1054 a.C. Dessa forma, Duathathor se tornaria rainha do Egito.

Ainda assim, é difícil ter certeza sobre o período em que a princesa viveu, seus parentescos e sua vida. Os arqueólogos envolvidos na investigação chegaram a essas conclusões principalmente devido a uma descoberta: seu papiro funerário. Nele, mencionou-se o nome de sua possível mãe, Tentamun, e de seu marido, Pinedjem I.

Os títulos da rainha também não ajudaram para se definir essa colocação. Filha do Rei, Esposa do rei, Mãe do rei, Senhora das Duas Terras, Filha da Grande Esposa Real, Primeiro cantor de Amon, Mãe da Grande Esposa Real, Mãe do Sumo Sacerdote de Amon e Mãe do Generalíssimo são alguns dos nomes que eram utilizados para designar a princesa. Pelo que é possível perceber, fica difícil definir com certeza seus parentescos.

Múmia

A múmia de Duathathor-Henuttawy / Crédito: Wikimedia Commons

 

A múmia de Duathathor foi encontrada em uma enorme tumba localizada na necrópole de Tebas, no Egito. O local, também conhecido como túmulo DB320, abrigava ainda pelo menos 50 restos mortais de faraós, rainhas e nobres do Egito Antigo, contando ainda com muitos equipamentos fúnebres dessas pessoas.

Podendo ser considerado um impressionante esconderijo que guardou durante muito tempo essas relíquias, a tumba de Deir el Bahri ainda guardava os corpos de figuras importantes como Seti I, Tutmés III e Ramsés II, por exemplo.

O que se sabe é que sarcófagos, no geral, sempre sofriam com constantes saques feitos por vândalos. Os pesquisadores acreditam que algumas múmias apenas sobreviveram a essas drásticas situações devido a essa tentativa de proteger os cadáveres mumificados. Isso teria acontecido quando, em algum momento durante a dinastia 21, pessoas coletaram algumas múmias e as colocaram em uma outra tumba, para, assim, enganar saqueadores. A técnica funcionou, visto que hoje ainda temos acesso a inúmeras delas.

Ainda que tivesse sido escondido, todo o ouro do caixão de madeira que guardava a princesa egípcia foi retirado. Ele fazia parte de um conjunto com outro sarcófago, mas não se sabe se este abrigava outra múmia. Também não é possível dizer onde ela havia sido enterrada antes de ser resgatada e levada para o túmulo DB320.

O corpo de Duathathor também foi danificado por vândalos. Seu peito, por exemplo, foi praticamente esmagado no momento em que os ladrões de tumbas tentaram procurar o escaravelho que ocupava o lugar do coração da mulher, técnica muito utilizada no Egito Antigo durante a mumificação.


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