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Como os restos mortais de D. Pedro II chegaram ao Brasil?

Saiba como se deu o grande evento realizado há 101 anos

Redação Publicado em 15/01/2022, às 09h00

D. Pedro II em fotografia
D. Pedro II em fotografia - Domínio Público / Joaquim Insley Pacheco

101 anos atrás, os brasileiros festejaram a chegada dos despojos de seu último Imperador, D. Pedro II, e da imperatriz Teresa Cristina. Era 08 de janeiro de 1921, ano que marcaria três décadas desde a morte do monarca em Paris, durante o exílio.

Naquele sábado, o couraçado São Paulo chegou ao Rio de Janeiro com os restos mortais do casal imperial, trazidos de Lisboa, como parte dos preparativos para o centenário da Independência, que seria comemorado no próximo ano.

Homenagens da imprensa

A imprensa da época acompanhou os detalhes daquele grande evento organizado pelo então presidente Epitácio Pessoa. O jornal Estadão, em sua edição de 09 de janeiro de 1921, tratou sobre as homenagens e cerimônias realizadas imediatamente à chegada das urnas ao Rio de Janeiro.

Pedro aos 49 anos de idade / Crédito: Domínio público / Delfim da Câmara

 

"Está de novo em terra do Brasil d. Pedro II. Elle e sua veneravel esposa, d. Thereza Christina. Dessa terra, antes de morrer, elle pedira uma pouca para lhe ser posta sob a cabeça (...) Partiu exilado, quasi só, seguido, além dos seus, por alguns amigos fieis. Triste, guardou a sua linha serena - sem arrogancias, sem rompantes", dizia o jornal naquela manhã, conforme informações do Acervo Estadão.

"Grande na dôr, como na felicidade, revelou o caracter authentico de um rei philosopho, alliando  majestade e resignação (...) Assim, seu regresso se impunha. Morto herdeiro do throno, extinctos   perigos de perturbação, nada mais se oppunha á revogação do banimento da familia imperial e á restituição dos despojos", prosseguiu o texto.

Pedro e Teresa Cristrina em quadro de 1857 / Crédito: Domínio Público / François-René Moraux

 

"O acto dos poderes publicos veiu bem a tempo. Dom Pedro de Alcantara e dona Thereza Christina estão de novo integrados no Brasil."

Membros da família imperial no Brasil

Também participaram das homenagens o genro do imperador e marido da princesa Isabel, Conde d'Eu, e seu filho Pedro de Alcântara. O Estadão informou na época: "o Conde d'Eu e o principe d. Pedro continuam a ser visitados no Palace Hotel, onde se acham hospedados. É incalculavel o numero dessas visitas."

Tumbas de Pedro e Teresa Cristina (ao centro), Isabel (esquerda) e Gastão (direita) / Crédito: Domínio público / Jean Magrou

 

"É igualmente avultado o numero de telegrammas de todos os pontos do paiz dirigidos a suas altezas (...) Informado da subida do sr. Epitacio Pessoa a Petropolis, o conde d'Eu solicitou de s.exa. que lhe concedesse alli uma audiencia, afim de agradecer ao chefe da nação a assignatura do decreto extinguindo o banimento da familia imperial e determinando a trasladação dos despojos de d.Pedro II e de d. Theresa Christina."

A comoção popular

As páginas do jornal também deram destaque para a comoção popular, que foi notória mesmo nos dias que se seguiram aos atos fúnebres. Muitas pessoas prestaram homenagens ao imperador e à imperatriz dentro da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

"Durante a tarde foi extraordinario a concorrencia de pessoas que foram visitar os despojos dos imperadores na Cathedral, que esteve sempre repleta. Muitos dos presentes choraram junto das urnas", dizia uma matéria. 

Anos mais tarde, em 1939, os despojos foram transferidos para a Catedral de São Pedro de Alcântara, onde estão abrigados até os dias de hoje


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