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Confundido com um alpinista: A inusitada descoberta da múmia de Ötzi, o Homem de Gelo

Quando turistas observaram o corpo, pensaram que ele era de uma pessoa que havia morrido recentemente; não poderiam estar mais errados: ele tinha 5.300 anos

Isabela Barreiros Publicado em 28/10/2020, às 06h00

Ötzi, o Homem de Gelo, encontrado nos Alpes de Ötztal
Ötzi, o Homem de Gelo, encontrado nos Alpes de Ötztal - Divulgação

Uma das descobertas mais impressionantes da história foi feita totalmente ao acaso. Em um local geralmente cheio de turistas, Ötzi, o Homem de Gelo, foi encontrado por um casal de alpinistas que estava passando pela região. Nada de pesquisadores nem especialistas no começo da história desse achado.

Foi na fronteira entre a Áustria e a Itália, mais especificamente nos Alpes de Ötztal, que a múmia de gelo preservada naturalmente mais antiga que se tem notícia foi vista pela primeira vez, em 19 de setembro de 1991, há quase 30 anos pelos alemães Helmut e Erika Simon.

Naquele momento, o corpo estava colocado em um terreno repleto de musgos e hepáticas. Muitas delas eram apenas parte da flora local, com muitos tipos pertencentes ao frio dos alpes. No entanto, das 75 espécies identificadas no local de descanso final de Ötzi, muitas delas não estavam relacionadas com a região. 

Não somente esse fato, mas muitos outros também, fizeram com que inúmeras pesquisas fossem realizadas no Homem de Gelo. O notável estado de preservação possibilitou que estudos fossem feitos à fundo na múmia, coisa que não aconteceria caso ela tivesse sido encontrada debilitada.

O exato momento da descoberta / Crédito: Divulgação

 

Mais que isso: a chocante conservação fez com que as pessoas que o encontraram pensassem que aquilo se tratava de um corpo de um indivíduo que tinha morrido entre as montanhas, provavelmente mais um alpinista. A situação é muito comum nessas áreas perigosas, o que não gerou muita suspeita.

No entanto, não demorou muito tempo para que eles percebessem que aquele era um corpo muito antigo. Ainda assim, era muito difícil de retirá-lo de lá. Como foi encontrado em uma altitude de 3.210 metros, foi preciso muito trabalho para levá-lo para análises mais profundas.

Autoridades locais começaram a tentar removê-lo do gelo, mas o fato do corpo do indivíduo estar congelado fez com que eles não pudessem levar o corpo. Em 23 de setembro, quatro dias após a descoberta, Ötzifoi finalmente resgatado e levado para ser analisado por um médico legista e um arqueólogo. 

A jornada de Ötzi

Imagens do trato digestivo de Otzi / Crédito: Divulgação/ South Tyrol Archeology Museum

 

Embora ele tenha sido encontrado em uma altitude considerável, os estudos realizados pelos pesquisadores envolvidos explicaram que ele passou por uma longa jornada antes de chegar no local que é, hoje, considerado o do seu descanso final. 

Foram identificados grãos de pólen no estômago do Homem de Gelo, o que indica que ele se alimentou quando estava a mil metros de altitude na montanha. Os musgos mencionados também podem ser evidências importantes nessas circunstâncias, já que alguns deles não poderiam crescer na região.

O mais curioso, porém, é que ele não morreu de forma natural: sua trajetória não acabou por problemas de saúde. Pesquisas realizadas no corpo indicam que o homem faleceu há 5.300 anos quando uma flechada que o atingiu em seu ombro. Após análises do investigador Alexander Horn, da polícia de Munique, ainda foi constatado que Ötzi provavelmente foi vítima de vingança. 

A múmia estava cercada de peças desenvolvidas por seu povo, indo de itens de vestuário até armas. Essas últimas aquisições podem ajudar nessa tese de que ele morreu em um ambiente de batalha: um arco e um machado de cobre foram descobertos. 

O indivíduo estava vestindo um casaco feito de pele de carneiro, um cinto feito de couro, uma capa de grama trançada e sapatos desenvolvidos para andar na neve. Além disso, um boné de pele de urso e um par de perneiras de couro de cabra ajudavam a completar o conjunto.

Encontrado há quase 30 anos, o Homem de Gelo continua sendo objeto de inúmeros estudos, que ainda tentam entender o que, de fato, aconteceu com ele. Se ele foi um guerreiro, ou só um modesto caçador, vítima de um crime ou agressão entre tribos, isso ainda não está decidido.


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