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Conheça os tanques falsos criados para enganar o inimigo na Segunda Guerra

Mais econômico que a versão real, porém com o mesmo efeito de intimidação: uma estratégia de batalha usada até hoje

Ingredi Brunato Publicado em 18/08/2020, às 17h46

Tanques falsos da Segunda Guerra Mundial.
Tanques falsos da Segunda Guerra Mundial. - Wikimedia Commons

No meio de uma guerra, vale tudo. Inclusive fingir que você está muito mais preparado para ela do que você de fato está. Usando, por exemplo, tanques de mentirinha para fazer com que o inimigo dirija seus batalhões para o lugar errado, ou então que gaste suas balas em uma estrutura inofensiva. 

Ao que tudo indica, os tanques falsos foram criados na Primeira Guerra Mundial, mas com um objetivo diferente da enganação: para treinamento dos soldados. Em algum ponto, porém, alguém olhou para aquele equipamento e teve uma ideia ousada. 

Origens 

Os tanques postiços encontrados na Primeira Guerra eram feitos de madeira e cobertos com um tecido pintado. Seus trilhos não eram funcionais, por isso, na parte debaixo da estrutura, escondidas, estavam rodas comuns, de forma que o tanque era transportado por aí por cavalos, como se fosse uma charrete. 

Muitos deles simulavam os tanques pesados britânicos, porém seu uso para enganar o inimigo ainda não era tão difundido. Por isso, também, a simplicidade da imitação. 

Também são encontrados tanques falsos construídos pelos alemães, simulando o equipamento de guerra britânicos. No entanto, a quantidade reduzida leva os historiadores a concluírem que os alemães deixaram a técnica para trás quando saíram do treinamento e entraram na guerra de fato. 

Estrutura de madeira de um dos primeiros tanques falsos. Crédito: Wikimedia Commons. 

 

A evolução da tecnologia de guerra 

Já na Segunda Guerra, os tanques postiços se tornaram tecnologia de guerra de fato, e com isso vieram inovações na maneira de construí-los. Eles passaram a ser dobráveis e portáteis: sob o tecido pintado, tinham tubos de borracha pressurizados dando o formato de tanque, em vez de uma estrutura de madeira, que era menos prática. 

Por baixo da “fantasia de tanque”, ficava um jipe, de forma que os tanques conseguiam se mover sem a ajuda de cavalos, o que ajudava a manter a farsa. Até os rastros deixados pelos novos tanques falsos tinham sido pensados: um dispositivo na parte de trás apagava os rastros das rodas do jipe e criava um padrão imitando o deixado por tanques reais. 

Os britânicos, que iniciaram seu uso, os chamavam de “dummy tanks”, ou “tanques para bobos”, em tradução livre. Em uma das primeiras batalhas experimentando a nova estratégia, a companhia britânica de construção de equipamento militar foi capaz de fazer dois deles por dia, e em três meses tinham construído três regimentos inteiros de tanques fictícios. 

Seu maior defeito, além de não serem tanques reais, era que murchavam com muita facilidade caso perfurados ou expostos a altas temperaturas. Outro ponto fraco era que o motor do jipe tinha um som diferente do motor de um tanque, porém no calor da batalha, em meio aos barulhos de tiros, bombas e tanques reais, esse detalhe poderia passar batido. 

Tanque postiço da Segunda Guerra. Crédito: Wikimedia Commons 

 

Uso tático 

Os tanques falsos tiveram um grande papel no que ficou conhecido como Operação Fortitude. Nela, os ingleses usaram o equipamento falso para confundir os alemães de duas formas distintas. A primeira delas, e mais evidente, foi fazer com que seu batalhão de tanques parecesse maior, em uma estratégia de intimidação. 

Já a segunda envolveu deixar os tanques postiços em um local visível para o inimigo, enquanto os reais se dirigiam para um ponto diferente. A ideia por trás disso seria fingir que a invasão ocorreria em um lugar, quando ela seria em outro. Em outra operação, dessa vez na Itália, os Aliados usaram tanques postiços para esconder a localização dos seus tanques reais. 

Dias atuais 

Tanques falsos ainda são usados, e o responsável pela construção tanques postiços de última geração é ninguém mais que os Estados Unidos. Esses tanques fictícios modernos são feitos para imitarem não só a aparência da versão real, mas também a quantidade de calor emitida, para que não sejam denunciados por detectores infravermelhos. 

Além do realismo, a praticidade do equipamento de enganação também aumentou: eles podem ser enchidos em questão de minutos, e quando desmontados, pesam menos que meio quilo e ficam do tamanho de uma mochila. O que permanece o mesmo desde a Primeira Guerra Mundial, é que continuam muito mais baratos que tanques reais.


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