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Consequências do incesto: a doença que lesionou o Rei Tutancâmon

Análises em sua múmia revelaram as sequelas causadas pelo relacionamento incestuoso dos pais do faraó menino e as possíveis causas de sua precoce morte

Isabela Barreiros Publicado em 25/09/2020, às 07h00

Tampa do sarcófago de Tutancâmon
Tampa do sarcófago de Tutancâmon - Pixabay

Em 1922, a tumba de Tutancâmon, uma das maiores descobertas do século 20, foi encontrada quase intacta pelo egiptólogo britânico Howard Carter. Ao desenterrar o rico mausoléu, uma série de questões sobre o governo do importante faraó e o Egito Antigo no geral começaram a ser respondidas pelos artefatos observados em seu interior. 

No entanto, era apenas o começo de uma investigação que perdura até os dias de hoje. A saúde do faraó menino ainda é objeto de estudo de inúmeras pesquisas ao redor do mundo, que tentam entender o que teria causado o definhamento e a morte precoce do importante rei egípcio.

A verdade é que, atualmente, existem algumas narrativas em disputa para decidir o que, de fato, matou Tutancâmon. As décadas de pesquisa e as constantes análises forenses realizadas com a múmia do rei possibilitaram a elaboração de diversas teorias sobre o fim de sua vida.

O que se sabe com certeza é que ele teve diversos problemas de saúde logo no início de sua vida, por algo que ele nem ao menos era responsável. No Egito Antigo, a prática do incesto era muito comum principalmente entre os membros da realeza. Portanto, é muito provável que ele tenha desenvolvido doenças em decorrência disso.

Primeiras análises na múmia

Rosto mumificado do faraó / Crédito: Divulgação

 

A primeira vez que o corpo do faraó menino passou por um processo de escaneamento digital foi em janeiro de 2005, quando a múmia foi removida de seu sarcófago e transcrita por via de 1.700 imagens provenientes de uma tomografia computadorizada. Nesta investigação, o foco foi entender as possíveis causas da morte de Tut.

A tomografia computadorizada obtida naquele exame revelou que o faraó teve uma lesão na perna alguns dias antes de sua morte. Assim, a teoria possível para o óbito foi de que ele pode ter tido complicações infecciosas geradas por uma lesão na perna, durante uma sessão de caça, que o fez contrair malária.

O famoso egiptólogo Zahi Hawass apoia parte dessa hipótese levantada em 2005. Uma análise feita por sua equipe no corpo do faraó obteve novas evidências indicando que, na verdade, Tutancâmon teria morrido devido a uma infecção em sua perna depois de um grave acidente de carruagem. 

Ainda assim, existem muitas questões que ainda não solucionam por completo o debate sobre a causa da morte de Tut. Para Christopher Naunton, egiptólogo e ex-chefe da Sociedade de Exploração do Egito, ainda há muito a ser estudado sobre essa questão, que ainda não está resolvida: "Atualmente, não podemos saber como Tutankhamun morreu. É bem possível que o que o matou não tenha deixado rastro”.

A doença

O corpo inteiro do faraó, com seu ferimento na perna  / Crédito: Divulgação

 

Ainda assim, é possível definir alguns problemas de saúde que podem ter acometido o faraó, mas não o matado. É o que foi investigado por uma equipe de pesquisadores do Egito e da Alemanha em 2010, a partir da análise de 11 múmias da 18ª Dinastia, todas de parentes de Tutancâmon

A análise de DNA realizada pelos cientistas revelaram que uma descoberta importante para a questão: o faraó menino, na verdade, era fruto de um relacionamento entre a irmã de Aquenáton e o próprio Aquenáton. Como já dito, o incesto se tornou uma tradição no Egito Antigo, impulsionada principalmente pela crença na divindade dos membros das famílias faraônicas.

Além disso, uma das possibilidades levantadas para o motivo pelo qual a prática se tornou tão comum na região é de que isso foi feito para que os poderosos pudessem fortalecer os seus reinados. Ao se relacionarem apenas entre si, perpetuariam durante muito tempo o controle de grupos específicos sobre o governo.

Tanto para Tutancâmon quanto para outras pessoas que foram fruto desses relacionamentos, as consequências foram drásticas. Estudos aprofundados no corpo mumificado do faraó demonstraram que ele provavelmente desenvolveu uma doença genética: ele sofria de deformidade equinovarus, que deixaram seus pés tortos. 

Segundo o professor do Imperial College London, Hutan Ashrafian, envolvido no estudo, muitos membros daquela dinastia também tiveram doenças envolvendo desequilíbrios hormonais. A principal sequela desse problema genético é que a doença poderia gerar vidas mais curtas.


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