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Crítico do regime comunista e irmão de Kim Jong-Un: Enigmática morte de Kim Jong-Nam completa 4 anos

Filho de Kim Jong-il foi assassinado enquanto esperava para embarcar em voo para China. Relembre o caso!

Fabio Previdelli Publicado em 14/02/2021, às 10h00

Kim Jong-nam
Kim Jong-nam - Divulgação/ YouTube/ Al Jazeera

Parecia mais uma segunda-feira normal para Kim Jong-nam, que esperava no aeroporto de Kuala Lumpur, em Sepang, na Malásia, o horário de seu voo — que tinha como destino a China. Entretanto, jamais embarcaria naquela viagem.  

Tudo porque, minutos depois, uma mulher chegou por trás dele e tampou seu rosto como pano embebedado em um líquido que queimou seus olhos. Poucas horas depois, as autoridades malaias informaram sua morte.  

Mas qual motivação para tal ato brutal?

A verdade é que Kim Jong-nam não era um ilustre desconhecido, até poderia ser para milhares de norte coreanos, mas quem conhecia sua história sabia que ele era um dos filhos de Kim Jong-il, ex-líder da Coreia do Norte.  

Kim Jong-nam / Crédito: Wikimedia Commons

 

Kim Jong-nam viveu de maneira simples, muito aquém do luxo que se espera para o filho mais velho de um ditador que comandava uma nação. O fato é que Jong-nam, apesar de ser filho de Kim Jong-il, era fruto de uma relação extraconjugal da atriz norte-coreana Sung Hae-rim com o futuro ditador.  

Para piorar a situação, o pai de Kim Jong-il, Kim il-sung, seu avô, não aprovava a relação. Não era pra menos, em uma sociedade extremamente conservadora como a norte-coreana, a notícia sobre um filho bastardo poderia acabar com as ambições de Jong-il de assumir o trono.  

Líder norte-coreano Kim Jong-Il (frente, esquerda) junto a seu filho, Jong-Nam. Ao fundo, sua cunhada, Song Hye-rang com seus filhos, Lee Nam-ok e Lee Il-nam / Crédito: Getty Images 

 

Em decorrência disso, o pequeno Kim Jong-nam viveu isolado em uma mansão na região central da capital do país, Pyongyang. Porém, sua mãe sofria de problemas físicos e mentais, o que lhe exigia buscar tratamento em outros países. Assim, o jovem acabou sendo criado por sua avó materna e sua tia, Song Hye-rang

Song, que fugiu do país nos anos 1990, declarou, em seu livro de memórias, que Jong-il era apaixonado pelo filho e que sempre se lamentava de estar distante da cria. Tudo piorou quando Jong-nam foi enviado para estudar na Suíça e, posteriormente, viveu na Rússia. 

Viver por uma década fora de seu país de origem fez com que o jovem tivesse aberto os olhos em relação a tudo que acontecia em sua terra natal. Quando retornou a Pyongyang, passou a questionar o sistema econômico e político da Coreia do Norte.  

Isso fez com que Kim Jong-il ficasse tão frustrado com o filho que pensou em mandá-lo para trabalhar em uma mina de carvão, em um campo de prisioneiros políticos. Porém, Jong-nam não foi preso, muito pelo contrário, se sentia livre o suficiente para lutar contra as ideais e expectativas irreais do pai. 

Sucessor? Jamais 

Por conta dessa ‘rebeldia’, Jong-nam jamais foi especulado como um possível sucessor de seu pai. Mesmo assim, chegou a ocupar alguns cargos no governo norte-coreano, como, por exemplo, ser o responsável pela auditoria financeira dos funcionários do Partido Comunista envolvidos na Marcha Árdua — quando milhares de cidadãos norte-coreanos morreram de fome.  

Como resultado dessas análises, testemunhou os assassinatos dos diretores dessas fábricas, que foram acusados de roubar dinheiro público. Isso só serviu para aumentar ainda mais a desilusão de Kim em relação ao regime.  

Apesar de tudo isso, foi apenas em 2010 que o mundo ficou sabendo sobre suas frustrações perante a Coreia do Norte e de como sua família governava o país.

Em entrevista ao jornal japonês Tokyo Shimbun, ele criticou a dinastia do país, chamou seu irmão Kim Jong-un de “fantoche” que não tinha habilidade de liderança e ainda alegou que o território entraria em colapso caso uma reforma política fosse implantada. 

Kim Han-sol / Crédito: Divulgação/ YouTube/ Al Jazeera

 

A crítica foi endossada por um de seus filhos, Kim Han-sol, que nasceu em Pyongyang em 1995, mas que nunca conheceu o avô. "Meu pai nunca se interessou por política", disse em entrevista à ex-subsecretária das Nações Unidas Elisabeth Rehn, em 2012.  

Rivalidade? 

Em entrevista à BBC, o professor-visitante da Universidade Jonhs Hopkins, Michael Madden, que é especialista em assuntos relacionados à Coreia do Norte, declarou que a rivalidade entre Kim Jong-un e Kim Jong-nam foi alimentada pela mãe do atual ditador coreano, a ex-dançarina Ko Yong-hui

Madden explica que quando Jong-nam foi estudar fora, Kim Jong-il passou a se relacionar com Ko, com quem teve três filhos. Porém diferentemente de outros casos, Yong-hui se interessava pela vida política do país e fez de tudo para que Jong-un fosse o sucessor da Coreia — principalmente depois que Jong-nam voltou do exterior.  

Kim Jong-un, líder norte-coreano / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando se tornou primeira-dama, de fato, entre o fim dos anos 1990 e começo dos 2000, sua missão já estava bem pavimentada. Segundo o especialista, a rivalidade entre os dois aumentou ainda mais quando Jong-nam foi flagrado viajando para o Japão com um passaporte falso. 

O assassinato 

Kim Jong-nam foi assassinado no dia 13 de fevereiro de 2017, há exatos quatro anos, no aeroporto de Kuala Lumpur, em Sepang, na Malásia. A morte está cercada de mistérios sobre quem poderia ter mandado matar o irmão mais velho do ditador Kim Jong-un

O que se sabe, de fato, é que Jong-nam tinha um pano contendo um agente conhecido como VX — considerado uma arma química pela ONU — passado em seu rosto. Ele até pediu ajuda médica no hospital, mas isso não fez muita diferença no resultado: pouco tempo depois, Kim estava morto. 

O agente químico foi responsável por queimar os olhos do norte-coreano. Sabe-se, também, que outras tentativas teriam sido realizadas para acabar com a sua vida. 


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