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Elementos tirados de série televisiva e encenação: os bastidores do assassinato dos pais de Suzane von Richthofen

Suzane e Daniel acreditavam que haviam feito de tudo para driblar as investigações policiais

Fabio Previdelli Publicado em 04/05/2020, às 17h34

Família von Richthofen nos poucos momentos descontraídos
Família von Richthofen nos poucos momentos descontraídos - Wikimedia Commons

O dia 31 de outubro de 2002 mudou para sempre a vida da família Richthofen. Por volta das 23 horas, Suzane chegou à residência de seus pais acompanhada do namorado e o irmão dele, os Cravinhos, para colocar um ponto final na vida daqueles que tanto atrapalhavam os sonhos e projetos de uma adolescente com a mente perturbada.

Dentro de poucos minutos, Suzane liberaria as amarras e se tornaria “livre” de todas as regras impostas por Manfred e Marísia. Já o casal, sem saber, davam seus últimos suspiros de vida enquanto dormiam na suíte do local.

Quando o trio de criminosos chegou à Rua Zacarias de Góis, 232, endereço de Suzane, o destino de todos os personagens dessa narrativa já havia sido traçado, tudo foi planejado nos detalhes mais meticulosos e sórdidos.

Imagem de Suzane von Richthofen / Crédito: Divulgação

 

A casa estava completamente escura, o que só facilitou com que nada de estranho fosse percebido. Segundo explica o jornalista e escritor Ullisses Campbell no livro Suzane – Assassina e Manipuladora, Editora Matrix, a criminosa, ainda no carro na garagem da residência, repassou os comandos parte a parte com uma riqueza de detalhes impressionante.

Tudo era tão meticuloso e estratégico que os policias tiveram dificuldade em chegar ao real responsável pelo crime. “Mais tarde, em depoimento à polícia, Suzane e Daniel confessaram que, na tentativa de não deixar pistas pela casa, o casal se inspirou na famosa série de televisão CSI (Crime Scene Investigation)”, explica Campbell.

“A ideia de usar a meia-calça para evitar a queda de pelos e fios de cabelos dos irmãos pelo chão da casa e as luvas cirúrgicas que impediriam o registro de digitais em maçanetas e corrimões, por exemplo, saiu da maratona que o casal fez para assistir, em duas semanas, aos 43 episódios das temporadas do seriado”.

O programa, que foi febre no Brasil no início dos anos 2000, mostrava como cientistas forenses desvendavam crimes obscuros que envolviam mortes em circunstâncias misteriosas e pouco comuns. Além de uma maneira de driblar as investigações, a atração também serviu como sugestão de figurino para os assassinos na noite do crime.

”Daniel vestia calça bege folgada, tênis branco e vermelho e camisa cinza. Carregava nas costas uma mochila. Cristian optou por um figurino camuflado de exército. Os dois usaram os acessórios repassados por Suzane. As meias-calças foram postas por cima da roupa e na cabeça”, narra Ulisses.

Após a série de pauladas que receberam na região da cabeça e do tórax, os Richthofen, apesar de imóveis na cama e banhados de sangue, ainda não estavam mortos. “Repentinamente, o casal começou a emitir um som alto e medonho semelhante a um gargarejo”, diz o escritor.

“Segundo os médicos legistas autores do laudo cadavérico, o ruído ocorreu porque o casal teve morte agônica. Como houve lesão na base do crânio, o sangue escorreu para a nasofaringe, a parte mais alta das vias aéreas, situada logo atrás do nariz e acima do palato mole. A nasofaringe serve justamente para a passagem do ar das narinas à garganta, levando oxigênio até a traqueia, brônquios e pulmões. Ao terem essa região entupida por sangue, Marísia e Manfred passaram a gargarejar por alguns minutos antes de morrer”.

Mas após o escabroso ato, os irmãos ainda tinham mais uma missão para completarem na cena do crime: encenarem um latrocínio. “Usando luvas, Daniel correu ao closet da suíte, abriu uma das portas e retirou a tampa do fundo falso do armário. Dentro havia uma arma Rossi calibre 38 com cano oxidado preto e cabo de madeira com capacidade para seis balas, mas carregada com cinco. Ele pôs o revólver sobre a cama”, explica o jornalista.

“Mas Cristian achou melhor colocá-la no chão, sobre o tapete, próximo à mão direita de Manfred, estendida para fora da cama. Sempre citando cenas do seriado CSI, Daniel explicava querer passar a ideia de uma tentativa de reação do pai de Suzane ao suposto assalto”.

Os irmãos Cravinhos e Suzane apreendidos pela polícia / Crédito: Divulgação

 

A encenação não acabou por aí, Cristian também abriu duas gavetas de uma cômoda, que ficava na suíte, e jogou tudo que havia dentro dela no chão. Os irmãos também encontraram um porta-joias com mais de 100 peças e Daniel pegou as 12 maiores — que pensava ser as mais preciosas também.

O trio também encenou uma procura por dinheiro na biblioteca de Manfred, onde ficava uma maleta com senha que guardava diversas notas de dólar, real e euros. A bagunça se espalhou por todos os cômodos da casa e os únicos que permanecerem intactos foram os quartos de Andreas e de Suzane.

“Para reforçar a tese de assalto, Daniel teve uma ideia. Entrou novamente na casa, dessa vez pela janela, para deixar marcas na parede e confundir a futura investigação policial”, diz Campbell.

Todo nervosismo antes do crime acabou após o assassinato, principalmente porque tinham a certeza que sairiam ilesos. Ao entrarem no carro, Daniel e Suzane se beijaram por longos segundos e o trio partiu às pressas para a casa de Cristian, na rua Graúna, no bairro de Moema.


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