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Matérias / Nazismo

Enquanto os nazistas promoviam a ‘cura gay’, soldados faziam crossdresser

Durante festas e encontros, crossdresser eram comum em combatentes hitleristas

Fabio Previdelli Publicado em 05/06/2022, às 07h00 - Atualizado às 18h57

Soldados alemães nazistas transvestidos - Divulgação/ Martin Dammann
Soldados alemães nazistas transvestidos - Divulgação/ Martin Dammann

Os judeus foram os principais alvos de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, o grupo não foi o único perseguido pelas tropas nazistas. Longe disso. O Terceiro Reich também prendeu e aniquilou ciganos, deficientes e homossexuais. 

A perseguição ao último grupo citado, aliás, teria sido responsável pela morte de cerca de 10 mil pessoas. A política homofóbica de Hitler não perdurou apenas com a guerra, tendo se iniciado já quando o Partido Nazista ascendeu ao poder, em 1933. 

Além do mais, não apenas aqueles tidos como 'inimigos' do Führer foram mortos. A homossexualidade era inaceitável até mesmo dentro do Reich. Nem mesmo Ernest Röhm escapou da crueldade hitlerista por conta de sua orientação sexual.

Röhm com Hitler, em agosto de 1933 / Crédito: Wikimedia Commons

Com isso, quaisquer traços de hossexualidade parecem ter passado longe dos combatentes nazistas, não é mesmo? É aí que muitos se enganam. Enquanto perseguiam os gays, soldados alemães se travestiam em busca de diversão.

Crossdressing Nazista

Embora tenham perseguido e dizimado dezenas de homossexuais, e até mesmo tentado implementar uma “cura gay”, muitos nazistas se vestiam de mulheres, com direito a vestidos, saias, lingerie e até mesmo fotos abraçando seus colegas de farda. 

Quem expõe essa parte pouco conhecida da história é o colecionador de fotografia de guerras Martin Dammann. O cenário é retratado pelo berlinense em seu livro ‘Soldier Studies’, publicado em 2018. 

Em entrevista à Folha de São Paulo, o colecionador explicou como soldados alemães, que eram conhecidos por reprimir a sexualidade, acabavam abusando do crossdresser em festas e reuniões.  

Soldados alemães nazistas transvestidos/ Crédito: Divulgação/ Martin Dammann

Um ponto levantado por Dammann é que muitos desses registros foram feitos durante o Carnaval. Entretanto, o fato, por si só, não justifica sozinho o cenário. “Não acho que haja uma só explicação, pois não há uma motivação única para os casos retratados no livro, nem uma única orientação sexual”.

Está mais para um amálgama de muitos desejos e necessidades”, prossegue. 

O acervo de Martin evidencia que a prática não era comum apenas entre os nazistas. Soldados americanos e britânicos também se travestiam. Embora os registros sejam mais frequentes em tropas hitleristas.  

“É preciso distinguir entre a ideologia nazista, que era homofóbica, e a lógica de líderes militares, que precisavam do maior número possível de soldados na melhor forma física e mental possível”, aponta como outro ponto que levava o Reich a fazer vista grossa ao fato. 

Assim, os militares tinham interesse em todos os tipos de diversões, e o crossdressing era frequentemente, embora nem sempre, tolerado como um desses entretenimentos”, complementa.
Soldados alemães nazistas transvestidos/ Crédito: Divulgação/ Martin Dammann

Martin ainda explica que os registros eram mais comuns em tropas próximas ao fronte, onde “o controle das autoridades era de qualquer jeito limitado”.

A ‘Cura Gay’ do Reich

Apesar dos registros, ainda assim os nazistas foram capazes de cometer as maiores atrocidades do mundo contra os homossexuais. Uma prova disso, conforme recorda matéria da Folha, era o médico dinamarquês Carl Værnet.

Ele foi responsável por conduzir experimentos médicos em diversos prisioneiros gays dos campos de concentração. Sua maior ambição era “curá-los” da homossexualidade. Os experimentos de Værnet tinham o aval de Heinrich Himmler, um dos principais líderes do Partido Nazista, que enxergava a homossexualidade como “uma infecção” e pedia “a exterminação dessa existência anormal”.

Soldados alemães nazistas transvestidos/ Crédito: Divulgação/ Martin Dammann

Desta forma, o médico usou alguns detentos como cobaias na experimentação de hormônios artificiais, que eram injetados em suas virilhas. A má condução desta prática levou ao menos dois prisioneiros à morte.


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