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A desgraça de Ernest Röhm, o oficial homossexual que apoiou Hitler

Anticapitalista e gay assumido, Röhm queria fazer uma Segunda Revolução Nazista, mas acabou sendo executado pelo próprio partido

Fabio Previdelli Publicado em 16/08/2020, às 08h00

Röhm com Hitler, em agosto de 1933
Röhm com Hitler, em agosto de 1933 - Wikimedia Commons

Embora o nazismo tenha ficado marcado pela perseguição aos judeus e as minorias sociais, logo no começo do regime, um gay assumido teve papel de suma importância para a ascensão de Adolf Hitler: o oficial alemão Ernst Röhm.

Entre as décadas de 1920 e 1930, Röhm serviu como uma espécie de braço direito do Führer, reconhecendo em Adolf sua extrema facilidade em manipular e convencer quem os acompanhava e, seus comícios e assembleias.

Assim, em 1931, Ernst passou a liderar a Sturmabteilung, ou apenas SA, usualmente traduzida como "Tropas de Assalto" ou "Secções de Assalto" — uma milícia paramilitar que esteve em atividade no período que o Nazismo comandava a Alemanha.

Ernst Röhm de uniforme, em 1933/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Sua orientação sexual, no início do regime, deu a falsa impressão que os homossexuais seriam perseguidos de maneira branda. Entretanto, na prática, não foi isso que acabou acontecendo, afinal, cerca de 10 mil gays estiveram em campos de concentração. Destes, cerca de 60% pereceram nas câmaras de gás ou durante experimentos médicos.

Porém, o que mais preocupava o Reich não era de Röhm ser assumido, mas sim sua ideologia anticapitalista, o que o fez pressionar seus aliados alemães a fazer uma Segunda Revolução Nazista.

Acumulando cada vez mais funções dentro do império de Hitler, inimigos de Ernst, como Heinrich Himmler, precaviam Hitler sobre uma possível absorção das forças armadas da Alemanha pela divisão militar comandada por Röhm, algo que o próprio já havia manifestado desejo de que acontecesse. Como consequência, Adolf não pensou duas vezes.

Os dias finais de Ernst Röhm

Em preparação para o expurgo conhecido como a Noite das Facas Longas, Himmler e Reinhard Heydrich, chefe do Serviço de Segurança SS, reuniram um dossiê de evidências fabricadas para sugerir que Röhm havia recebido 12 milhões de Reichsmarks do governo francês para derrubar Hitler. Os principais oficiais da SS viram provas falsas, em 24 de junho, de que Ernst planejava usar a SA para lançar uma conspiração contra o governo.

Sob a direção de Hitler, Göring, Himmler, Heydrich e Victor Lutze elaboraram listas de pessoas dentro e fora da SA a serem mortas. Em 28 de junho, o Führer foi a Essen para participar de uma festa de casamento; de lá, chamou o ajudante de Röhm em Bad Wiessee e ordenou que os líderes das SA se reunissem com ele em 30 de junho, às 11h00.

Na data estipulada, o líder nazista chegou a Munique, às 6 horas, acompanhado por um grande grupo da SS. De lá, foi até o Hanselbauer Hotel, onde Röhm e seus seguidores estavam hospedados.

Ernst Rohm com Henrich Himmler / Crédito: Wikimedia Commons

 

A desgraça de Ernest

Homens da SS invadiram o hotel e Hitler, pessoalmente, colocou Ernst e outros líderes do alto escalão da SA sob prisão. Embora não tenha apresentado nenhuma evidência de um complô de Röhm para derrubar o regime, durante um discurso, o Führer denunciou aquele que seria "a pior traição da história mundial". Adolf disse à multidão que "personagens indisciplinados, desobedientes e elementos não sociais ou doentes" seriam aniquilados.

Hitler hesitou, em um primeiro momento, em autorizar a execução de Röhm, talvez por lealdade ou constrangimento com a execução de um importante tenente. Depois, decidiu por o plano em prática, no entanto, daria a Ernst a opção de se matar ao invés de ser fuzilado no paredão.

Em 1 de julho de 1934, o SS- Brigadeführer Theodor Eicke e o Obersturmbannführer Michael Lippert visitaram Röhm na prisão e lhe deram uma pistola Browning carregada com um único cartucho. A dupla disse que ele teria 10 minutos para se matar, caso contrário, eles mesmo fariam o serviço.

Ernst rejeitou a oferta, dizendo-lhes: "Se vou ser morto, que Adolf faça isso sozinho”. Não tendo ouvido nada no tempo previsto, Eicke e Lippert voltaram à cela de Röhm e, às 14h50, o encontraram de pé, com o peito nu estufado em um gesto de desafio. Entretanto, eles não hesitaram, e atiraram contra o sujeito, que acabou falecendo ali mesmo.


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