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Excomungada pelo papa e convertida ao islamismo: A curiosa saga de Sinéad O'Connor

Após anos de críticas e episódios tumultuados com figuras católicas, a cantora irlandesa apontou que ser muçulmana "é um caminho racional"

Wallacy Ferrari Publicado em 11/02/2021, às 09h00

Sinead trajada com uma batina católica (esq.) e com uma túnica (dir.)
Sinead trajada com uma batina católica (esq.) e com uma túnica (dir.) - Divulgação

Em 1991, Sinéad O’Connor chegava ao topo da principal parada de sucessos dos EUA com o hit "Nothing Compares 2 U", se tornando um símbolo da música feminina mundial — e não apenas pela voz incrível ou letra cativante.

Diferente das cantoras do movimento pop da década anterior, Sinéad não tinha longos cabelos ou abusava de roupas coloridas; o contrário, se tornou um símbolo com a cabeça raspada e roupas confortáveis com poucas cores.

O motivo foi atribuído por uma série de fatores ao longo de sua vida rebelde; aos 15 anos, passou matar aulas no colégio e furtar estabelecimentos na Irlanda, sendo enviada para um reformatório administrado pela Ordem de Nossa Senhora da Caridade, como informa o Washington Post. A ocasião chegou a ser descrita pela cantora como a mais aterrorizante da vida.

Apesar da dureza do período do reformatório, até o ano de 2007, Sinéad manteve uma opinião pública de que se considerava cristã e acreditava nos conceitos cristãos baseados nos fundamentos de Jesus e da Trindade, como disse ao Christianity Today.

No entanto, diversos episódios questionáveis do catolicismo fizeram com que, do outro lado, a cantora se tornasse alvo do ódio de fiéis.

Sinéad rasga fotografia do Papa João Paulo II em rede nacional no Saturday Night Live / Crédito: Divulgação / NBC

 

Contestação católica

Apesar da ligação com os preceitos cristãos, seu alinhamento com o catolicismo chamou a atenção do mundo na noite de 3 de outubro de 1992, quando rasgou, em rede nacional, uma fotografia do Papa João Paulo II sem avisar a produção do Saturday Night Live — programa de comédia de maior audiência e tradição nos Estados Unidos — logo após o encerramento de uma apresentação musical.

O ato, feito em protesto contra os abusos sexuais infantis acobertados pela igreja, resultou em mais de 4,4 mil ligações para a emissora, além de sofrer com vaias, duas semanas depois no palco do Madison Square Garden, quando foi convidada a um show de tributo a Bob Dylan.

Mesmo proibida de realizar aparições na principal emissora americana, manteve a postura e, três anos depois, entrou ao vivo no programa britânico After Dark.

Na ocasião, Sinéad ligou para a produção ao vivo e foi até os estúdios do Channel 4 para participar de um debate sobre a Igreja Católica na Irlanda, tendo como convidado o ex-chefe de estado irlandês Garret FitzGerald e outros dois representantes religiosos.

Em 2010, quando estourou um escândalo de pedofilia na Irlanda, Sinéad foi convidada pelo jornalista Anderson Cooper para comentar o caso na CNN.

Afirmando ter razão pelos anos de luta, a artista afirmou que há a necessidade da criação de uma igreja com preceitos renovados e descreveu o Vaticano como um ninho de demônios.

Sinead O'Connor em apresentação no programa The Late Late Show / Crédito: Divulgação / CBS

 

Conversão inesperada

Após um hiato midiático, O’Connor surpreendeu os fãs após anos de comentários sobre o catolicismo e anunciou pelo Twitter que, não apenas se converteu ao islamismo, como mudou seu nome para Shuhada’ Davitt.

Ainda apontou que, o caminho racional de qualquer pessoa que se integra a religiosidade é integrar uma religião muçulmana.

"Isso é para anunciar que eu estou orgulhosa de ter me tornado muçulmana. Essa é a conclusão natural da jornada de qualquer teólogo inteligente. Todas as escrituras apontam para o Islã. O que faz de todas as outras escrituras redundantes. Eu vou ganhar outro novo nome. Será Shuhuada'", escreveu a cantora.


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