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Experimentos, solidão e tristeza: a saga das gêmeas Masha e Dasha Krivoshylapova

As crianças que nasceram ligadas pelo tronco, desde cedo eram usadas como cobaias em testes no Instituto Médico Experimental de Moscou

Paola Churchill Publicado em 13/06/2020, às 09h00

As gêmeas Masha e Dasha
As gêmeas Masha e Dasha - Divulgação

Em janeiro de 1950, a família Krivoshylapova foi surpreendida com o nascimento das gêmeas Masha e Dasha. As meninas nasceram ligadas pela cintura em um ângulo de 180 graus, com duas cabeças, dois braços, dois troncos e apenas um par de pernas.

Diante do episódio, médicos responsáveis pelo parto ficaram fascinados e queriam fazer experimentos para entender como aquilo era possível. Os profissionais decidiram contar para a mãe das crianças, Yekaterina, que as gêmeas haviam morrido. 

As meninas foram tiradas dos braços da própria mãe, que chorava lamentando a suposta morte das duas, sem nem desconfiar que elas estavam bem e vivas. 

Como consequência, a trajetória de Masha e Dasha foi alvo de muitos episódios tristes. Sem familiares por perto, as duas viviam nos corredores frios do Instituto Médico Experimental de Moscou, onde eram tratadas como cobaias.

Experimentos

As gêmeas passavam por todo tipo de experimento dentro do instituto. Alguns eram tão perigosos que chegavam ao ponto de quase matá-las. Para se ter ideia, elas eram colocadas no gelo em temperaturas baixíssimas. Assim, sofriam queimaduras — que não as deixavam dormir — e passavam por inúmeras sessões de choque frequentes.

O objetivo desses profissionais era avaliar como o corpo humano reagia a condições extremas. Masha e Dasha eram as cobaias perfeitas. Ao mesmo tempo, os cientistas também queriam saber como elas reagiram a mesma doença, pois compartilhavam o mesmo sistema circulatório.

Masha e Dasha durante a infância/Crédito: Divulgação

 

No entanto, para a surpresa da equipe que observava as jovens, elas sempre reagiram de maneiras diferentes quando estavam doentes. Em um determinado episódio, a equipe infectou as garotas com o vírus do Sarampo. No momento, apenas Masha ficou doente, enquanto Dasha vivia perfeitamente. Todavia, o estresse constante passou a perturbar a relação das irmãs. 

Personalidades fortes

Embora estivessem grudadas o tempo todo, as jovens compartilhavam temperamentos diferentes. Dasha era sempre a mais "quietinha". Além de destra, usava óculos e não questionava os procedimentos que eram feitos.

Já Masha, era o oposto de sua irmã. Considerada a "rebelde", a menina era canhota, tinha uma visão excelente; e sendo muito atrevida fez de tudo ao seu alcance para atrapalhar os terríveis procedimentos que os médicos submetiam as jovens.

Conforme o tempo foi passando, Dasha passou a demonstrar maior interesse em relações com outras pessoas, como romances e amizades. No entanto a irmã, com forte temperamento, afastava as pessoas ao seu redor e não tinha interesse em nenhuma companhia.

Como era de se esperar, em 1964, Masha e Dasha começaram e se desentender. As brigas eram constantes e em determinados momentos, as duas até mesmo se batiam. Foi quando Dasha, cansada do verdadeiro caos que a vida representava, tentou se matar por enforcamento, entretanto, sua irmã, conseguiu salvá-la a tempo.

Masha e Dasha tinham personalidades completamente diferentes/Crédito: Divulgação

 

Depois do triste episódio, os médicos optaram por transferir as irmãs para um centro de acolhimento especializado em crianças com necessidades especiais. Foi nessa época que Yekaterina descobriu que as filhas estavam vivas e decidiu visitá-las. 

Mas, as meninas não gostaram muito da ideia, pois achavam que a mãe as havia abandonado. Elas sentiam que aquela mulher tinha as abandonado e logo impediram mais visitas da matriarca. Depois disso, passaram por cinco locais de acolhimento. A adaptação era difícil.

Na época, alguns médicos — quando tinham conhecimento da situação —, diziam que conseguiriam separá-las. No entanto, foi em vão. As jovens recusaram todas as propostas feitas. 

Em 13 de abril de 2003, ambas com 53 anos, Masha deu entrada no hospital relatando dores excruciantes nas costas. Apesar dos médicos terem dado toda a assistência que conseguiram, ela morreu no dia seguinte.

Dasha faleceu 17 horas depois, diante de uma intoxicação no sangue causada pela morte de sua irmã. Os seus corpos foram cremados e as cinzas estão guardadas no instituto médico de Moscou. Na época, elas eram consideradas as gêmeas de maior longevidade da história.


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