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Farol do espiritismo: a emocionante história de Isabel Salomão de Campos

Em entrevista à AH, Daniela Arbex conta como a mulher criou uma escola aos 14 anos e ainda tirou mais de 500 crianças das ruas

Pamela Malva Publicado em 17/01/2021, às 10h00

Fotografia de Dona Isabel
Fotografia de Dona Isabel - Divulgação/Fernando Priamo

Dona Isabel Salomão de Campos é aquele tipo de mulher poderosa, que mais parece uma força da natureza. Para a jornalista Daniela Arbex, a senhora quase centenária é “revolucionária, porque sempre esteve à frente do tempo dela”.

Autora da biografia “Os dois mundos de Isabel”, Daniela acompanhou a trajetória de Dona Isabel durante décadas. Quando a personagem tinha 94 anos, então, a escritora decidiu eternizar sua história em um livro cheio de memórias.

Em entrevista ao site Aventuras na História no Instagram, a autora contou cada detalhe dessa mulher que, além de gentil e geniosa, ainda tornou-se uma líder religiosa bastante respeitada. Tudo isso sem deixar o sorriso, a sensibilidade e a solidariedade de lado.

Médium brasileira Isabel Salomão de Campos / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Uma menina apaixonada por livros

Filha dos libaneses Sr. Nagib Salomão e D. Chaíde Chible Salomão, Dona Isabel nasceu em Rochedo de Minas, no dia 22 de setembro de 1924. Na escola, mesmo quando pequena, ela demonstrava uma grande paixão pela educação.

“Eles eram abastados no Líbano, mas deixaram toda a riqueza lá”, narra Daniela. “Vieram trabalhar na terra e morar em uma localidade sem acesso a nada, em uma época que o ensino e o saber não eram valorizados, principalmente para a mulher."

Aos 9 anos, todavia, a menina “começou a ver e ouvir coisas que ninguém compreendia”, como narra a biógrafa. Era o início de uma mediunidade incompreendida tanto pela família de Isabel, quanto pela própria criança, que chavama as aparições de “coisas”.

Dona Isabel em entrevista / Crédito: Divulgação/Isabel Salomão

 

O desconhecido

“Ela tinha muito medo, porque não sabia o que estava acontecendo com ela. Ninguém sabia explicar o que eram aqueles fenômenos”, narra Daniela. Ainda assim, a sabedoria de Isabel era tamanha, que, mesmo aos 9 anos, ela já era procurada pelas pessoas.

Quando chegou à adolescência, contudo, a menina “começou a achar que tinha algum problema, porque era diferente de todas as pessoas”. O que ela não sabia era que, na realidade, “ela destoava do meio rural” justamente por servir como um farol espiritual.

Aos 14 anos, então, a menina desbravou mais um lugar incomum para sua idade. “Ela enfrentou toda uma sociedade machista quando quis estudar e quando resolveu fundar uma escola para os filhos de lavradores que não tinham acesso à educação”. Isso porque, na época, mais valia uma enxada do que um livro nas mãos dos meninos.

Retrato de Dona Isabel e capa do livro de Daniela Arbex / Crédito: Divulgação

 

Pioneirismo e revolução

Inabalável, Isabel conseguiu juntar 45 alunos e, com a permissão do prefeito da cidade, tornou-se professora municipal. Sua espiritualidade, contudo, seguia uma zona enevoada. "Dos 9 aos 22, [ela passou por] momentos turbulentos da vida”.

Foi apenas aos 22 anos, durante uma conversa sincera com o chefe, Dr. Vicentino Mazzini, que a jovem descobriu o Espiritismo. Dalí em diante, “ela também se tornou uma referência e de coragem quando ergue sua voz para falar sobre esses dois mundos”, conta Daniela. “E ela falava publicamente sobre isso, o que não era comum.”

“Naquela época, o Brasil era predominantemente católico e ela passou a falar de espíritos. Então imagina o escândalo que foi e a coragem que ela precisou ter para falar aquilo que acreditava", explica a autora. Isso sem contar que, “durante quase um século, o espiritismo no brasil foi protagonizado por homens”.

Dona Isabel com algumas das crianças que ajudou / Crédito: Divulgação/Isabel Salomão

 

Um espírito de luz

Empoderada e, para Daniela, “uma das brasileiras mais importantes” da história, Dona Isabel teve uma “vida longa e produtiva, de muita dedicação ao outro”. Quase centenária, “ela foi derrubando preconceitos e, ao longo dos anos, tirou mais de 500 crianças das ruas” com um amor revolucionário, sem nunca querer nada em troca.

Em 1947, Dona Isabel casou-se com Ramiro Monteiro de Campos, um militar, professor e advogado com quem teve cinco filhos, onze netos e dois bisnetos. Companheiros, carinhosos e respeitosos, os dois “formavam um casal incomum”. 

Hoje, aos 97 anos, a mulher “nunca teve medo de ser quem ela é, ela nunca recuou, nunca esperou pela aceitação de ninguém, nem aprovação”, explica Daniela. Dona de um coração imenso, ela recebeu diversos prêmios, como o Título de Cidadã Honorária e Troféu Mulheres do Novo Século, além de ser autora de três livros e de diversos artigos.

“Quando falamos das pessoas que Dona Isabel acolheu, deu conselhos e tratamentos espirituais, estamos falando de milhares de pessoas”, conta Daniela. “Ela é uma personagem que, para quem tem o privilégio de conhecê-la, já deixou seus ensinamentos eternizados em diversos corações.”


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