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Matérias / Madeira Mamoré

Ferrovia do Diabo: confira 5 curiosidades sobre a Madeira Mamoré

Finalizada em 1912, a estrada de ferro ficou conhecida pelos inúmeros eventos sombrios ocorridos durante sua construção

Redação Publicado em 05/06/2022, às 09h00

Autoridades durante inauguração de trecho da ferrovia - Domínio público / José Rosael / HélioNobre / Museu Paulista da USP
Autoridades durante inauguração de trecho da ferrovia - Domínio público / José Rosael / HélioNobre / Museu Paulista da USP

Conhecida como “Ferrovia do Diabo”, a estrada de ferro Madeira Mamoré, que teve seu último trecho finalizado no dia 30 de abril de 1912, possui um histórico bastante sombrio.

A estrutura fez parte de um tratado assinado em 1903 pelos governos brasileiro e boliviano, logo após a compra do território do Acre, até então pertencente a Bolívia. A ideia era promover o progresso, porém diversos incidentes ocorreriam a seguir, dando à ferrovia a fama conquistada.

A seguir, confira 5 curiosidades sobre o tema.

1. Fome, mortes e doenças

Segundo informações da Biblioteca Nacional, milhares de pessoas perderam suas vidas enquanto trabalhavam na construção da Ferrovia do Diabo. Isso ocorreu devido à insalubridade, à fome e inúmeras doenças que as acometiam, como malária e disenteria.

Não havia medicamentos para tratar os doentes e as condições de trabalho, apesar de bastante precárias, eram naturalizadas pelos empresários.

Homens ao lado de locomotiva em trecho da Ferrovia do Diabo / Crédito: Domínio público / Arquivo Nacional


2. Falência da empresa

A princípio, as obras da Madeira-Mamoré Railway Company seriam realizadas sob o comando dos irmãos norte-americanos Philips e Thomas Collins, que assinaram os documentos do empreendimento em 1877, dezesseis anos após o surgimento da ideia.

A dupla partiu no ano seguinte para a Filadélfia com engenheiros, trabalhadores, máquinas e carvão mineral e, em janeiro de 1879, decretou falência.

Como a empresa Collins não poderia mais dar prosseguimento ao projeto, o mesmo foi repassado ao engenheiro Percival Farquhar (1864-1953), também estadunidense, quem foi considerado um dos maiores empresários da história do país.


3. Extração do látex

De acordo com a fonte, o objetivo era construir uma estrada de ferro que atravessaria os estados do Amazonas e Rondônia passando pela fronteira do Mato Grosso, o que seria um importante passo para a indústria do látex. As obras foram iniciadas em 1907 e finalizadas em 1912. Mesmo assim, o resultado não saiu como o esperado.

Trem anda sobre os trilhos da Madeira Mamoré / Crédito: Divulgação / Youtube / Ecrã Completo


4. Prejuízos

A ferrovia gerou lucros apenas nos dois primeiros anos de atividade, uma vez que houve queda considerável da participação brasileira no mercado da borracha, tendo em vista que a Ásia oferecia um produto de boa qualidade e fácil extração. Isso fez com que as atividades de Farquhar entrassem em falência.


5. Transformada em rodovia

Em 1937, o então presidente Getúlio Vargas apontou Aluízio Pinheiro Ferreira como novo diretor da ferrovia, função que exerceria até o ano de 1966. Mais tarde, Humberto de Alencar Castelo Branco determinou a substituição da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré por uma rodovia, depois de 54 anos de acúmulo de prejuízos.

Hoje em dia, é possível ver um trecho da Ferrovia do Diabo rodeado de mato, localizado na Vila de Teotônio, em Porto Velho. Alguns outros trechos menores foram recuperados para visitação. No entanto, por falta de recursos para manutenção, a passagem de trens é possível apenas no primeiro trecho.