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Guardião dos portões e das almas: quem era Anúbis, o justo deus egípcio da morte

Híbrido entre um cachorro e um humano, segundo a crença, a entidade era responsável por guiar e julgar os indivíduos na vida após a morte

Pamela Malva Publicado em 12/04/2020, às 08h00 - Atualizado às 13h00

Anúbis, o deus da morte, recebendo uma múmia
Anúbis, o deus da morte, recebendo uma múmia - Wikimedia Commons

Com seus rituais, embalsamentos, espiritualidade e mumificações, os egípcios cultuavam a morte como uma importante passagem, que deveria ser feito de forma respeitosa. Seja em caixões ou em urnas, o fim é inevitável e deve ser venerado.

Para verificar e justificar um rito tão crucial, a antiga religião egípcia acreditava em um deus da morte, um ser que mistura as anatomias do humano e do cachorro. Dono da passagem, Anúbis era o cão que engolia milhões, o mestre dos segredos.

Esguio e misterioso, o deus canino é considerado o guia das almas, o deus da mumificação, do embalsamento e da vida após a morte. Segundo a religião, é Anúbis quem protege os mortos e abre caminhos para a calmaria do pós-vida.

Representação de Anúbis guardando um sarcófago / Crédito: Wikimedia Commons

 

O deus cão

Desde o princípio, Anúbis sempre manteve a mesma essência e aparência. Seu nome, entretanto, passou por algumas mudanças. No período anterior à chegada dos gregos, a entidade era chamada de Anpu ou Inpu e seu nome era representado por hieróglifos.

No século 7 a.C., quando os gregos tiveram conhecimento do deus da morte, todavia, eles traduziram as nomenclaturas. Assim, a língua egípcia ganhou uma nova leitura e Anpu passou a chamar-se Anúbis.

Ao mesmo tempo, seu formato canino foi criado ainda no período pré-dinástico, quando a imagem de chacais eram comumente associadas aos cemitérios. Dessa forma, foi fácil unir o semblante de um ser canino com a representação do deus da morte.

Na época das primeiras dinastias do Egito, por exemplo, Anúbis era retratado como um animal completo, sem nenhuma parte humana. Sua imagem, um cachorro das orelhas ao rabo, aparece em inscrições de 3100 a 2686 a.C..

Representação de Anúbis inteiramente animal / Crédito: Wikimedia Commons

 

A influência

Considerado como deus da morte desde o começo, Anúbis ganhou protagonismo no Reino Antigo, sendo conhecido como a mais importante entidade dos mortos. Ele apenas perdeu seu posto para Osíris no Reino do Meio.

Ainda assim, os dois trabalhavam juntos. Segundo inscrições da era romana — período que remete a meados de 30 a.C —, era Anúbis quem guiava os mortos até Osíris, que, por sua vez, julgava a moral e o destino das pessoas.

Quando Anúbis foi estudado no período ptolomaico, ele logo foi colocado no mesmo posto que Hermes, o deus grego da passagem pós-morte. Em algumas obras, inclusive, os artistas esculpiam e pintavam um Hermes com cabeça de cachorro — o novo deus era chamado de Hermanubis.

Anúbis pesando o coração de um indivíduo, para julgar sua alma / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os poderes e deveres

Segundo as crenças egípcias, Anúbis era o responsável por guiar as pessoas do mundo dos vivos para a vida após a morte. Dessa forma, ele tinha um papel quase parecido com o barqueiro que levava os espíritos até o mundo inferior.

Anúbis, entretanto, também era o juiz das almas. Conhecido como o guardião das escalas, era ele quem pesava o coração de um indivíduo para julgar se ele era digno ou não do reino dos mortos.

Para isso, de acordo com o Livro dos Mortos, Anúbis colocava o coração de determinada pessoa de um lado da balança, enquanto uma pena fazia peso do outro lado. Dessa forma, o deus da morte poderia ditar o destino das almas.

Caso o coração do morto fosse mais leve que a pena de avestruz, a alma poderia ascender para a existência celestial. Caso contrário, se a alma fosse mais pesada que o outro lado da balança, o indivíduo era devorado por Ammit.


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