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Neste dia, em 1918, Lenin quase foi morto por uma militante de esquerda

Por considerá-lo "traidor da Revolução", Fanny Kaplan disparou dois tiros contra o líder bolchevique após um de seus discursos em Moscou

André Nogueira Publicado em 30/08/2019, às 16h00

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Reprodução

Em 30 de agosto de 1918, Lenin, líder dos bolcheviques, discursava numa fábrica em Moscou, quando levou dois tiros de Fanny Kaplan, membro do Partido Social Revolucionário. A militante de esquerda feriu gravemente o líder comunista, mas Lenin sobreviveu ao ataque e, a partir de então, comandou uma série de agressões contra seus oponentes políticos, em meio à Guerra Civil.

Após proferir seu discurso aos trabalhadores fabris, Lenin saiu em direção a seu carro. Porém, antes, Kaplan gritou o seu nome, o que chamou a atenção do político. De frente, a social-revolucionária apertou três vezes o gatilho; duas balas acertaram o bolchevique: uma no ombro e outra no pulmão. Lenin, então, foi levado aos seus aposentos no Kremlin. Mesmo sobrevivendo, a saúde do velho Ulyanov nunca mais foi a mesma.

F. Kaplan / Crédito: Wikimedia Commons

 

As razões para esse atentado são claras quando vemos o caminho da Revolução Russa. Após a tomada do poder pelos bolcheviques, em Outubro, Lenin criou hegemonia entre os sovietes. Porém, com a convocação da Assembleia Constituinte, os bolcheviques não conseguiram maioria absoluta, enquanto a presidência daquela agremiação era social-revolucionária. Isso criou uma intriga forte entre as facções.

Diante desse cenário, em que os bolcheviques deixaram aflorar o autoritarismo e baniram todos os partidos senão o do governo, Kaplan se desiludiu com o Secretário-Geral. Ela o via como traidor da Revolução, como disse em seu depoimento à Checa, após ser presa.

Muitos acham que esse tiro foi importante para o quadro de saúde de Lenin nos anos 1920 / Crédito: Domínio Público

 

Kaplan era uma filha de camponeses que entrou tardiamente para a luta revolucionária – originalmente como anarquista e, depois, partidária do socialismo. Em um atentado político, já fora presa em campos de trabalho na Sibéria czarista, sendo liberada pela Revolução. Inicialmente, foi simpática a Lenin, mas logo o bolchevique fechou o poder soviético em suas mãos, perdendo apoio do restante da esquerda revolucionária.

Após ser presa, Kaplan confessou o seguinte: "Meu nome é Fanny Kaplan. Hoje atirei em Lenin. Fiz isso com meus próprios meios. Não direi quem me forneceu a pistola. Não darei nenhum detalhe. Tomei a decisão de matar já Lenin faz muito tempo. Considero-o um traidor da Revolução". Ela foi sentenciada à morte por fuzilamento.