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Hetty Green, a milionária que tornou-se a maior mão de vaca do mundo

Conhecida como a Bruxa de Wall Street, ela se recusava a pagar cirurgias, economizava no sabão e usava o mesmo vestido por dias

Pamela Malva Publicado em 29/01/2020, às 18h00 - Atualizado às 19h00

Hetty Green, a Bruxa de Wall Street
Hetty Green, a Bruxa de Wall Street - Wikimedia Commons

Seguir a carreira de investimento é uma escolha complicada e arriscada, principalmente pensando que é possível perder tudo em um piscar de olhos. Com um pouquinho de sorte e muito conhecimento, no entanto, uma pessoa pode arrecadar milhões.

Esse foi o caso de Hetty Green, a Bruxa de Wall Street. Proveniente de uma família rica e muito religiosa, ela rapidamente se interessou por finanças. Com 13 anos, a menina já era contadora da família, que tinha uma grande frota baleeira e comércios na China.

Em 1865, quando seu pai morreu, Hetty, com 31 anos, herdou 5 milhões de dólares, além 8 mil já recebidos da herança de sua mãe, que faleceu cinco anos antes. Com a quantia em mãos, ela investiu em títulos da Guerra Civil.

Pouco depois, em 1867, ela se casou com Edward Henry e pediu que ele renunciasse a todos seus direitos de divisão de bens antes do matrimônio. Eles passaram a morar em Manhattan e, quando Hetty foi acusada de fraude, se mudaram para Londres.

Antes mesmo de se casar, em 1865, Hetty entrou na justiça para tentar ganhar a fortuna de sua tia, Sylvia Ann Howland, avaliada em 2 milhões de dólares. Para isso, ela falsificou alguns documentos e, no final, foi pega. O dinheiro foi doado para a caridade, como Sylvia queria.

Hetty Green em 1905 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A Bruxa de Wall Street

Já com certa quantia no banco, Hetty passou a investir ainda mais em ações, adotando uma estratégia concervadora. Em determinado ano, ela alegou ter arrecadado 1,25 milhões de dólares sozinha. Foi nessa época que ela passou a ter um comportamento excêntrico.

De volta aos Estados Unidos, Hatty e Edward, já com dois filhos, moravam em Vermont. Pouco querida no bairro, a matriarca tratava os outros com hostilidade, brigando com os familiares, com os empregados domésticos e com os lojistas da vizinhança.

Extremamente agressiva quando o assunto era dinheiro e sempre interessada em suas finanças, Hetty foi apelidada como a Bruxa de Wall Street. O apelido também veio, provavelmente, de seu forte posicionamento em um ambiente de negócios predominantemente masculino.

Naquele período, Hetty era uma empresária bem sucedida, lidava com imóveis, investia em ferrovias e emprestava muito dinheiro. Muito perfeccionista, ela era capaz de viajar quilômetros para cobrar uma dívida sozinha — atitude pouco comum às mulheres da época.

Hetty com vestido decorado / Crédito: Getty Images

 

Avareza exagerada

Se a ascensão de Hetty no mundo dos investimentos já assustava, sua avareza era ainda mais questionada por quem a conhecia. Sua mesquinhez fugia do comum e ela era conhecida por economizar a maior quantidade de dinheiro possível.

Em casa, Hetty não deixava os filhos usarem água quente, ela não lavava as mãos e se locomovia com uma carruagem velha. No dia-a-dia, a mulher comia tortas prontas que custavam 15 centavos e carregava biscoitos na bolsa, para não ter que jantar fora.

Segundo seus vizinhos da época, Hetty usava o mesmo vestido preto por dias e apenas trocava suas roupas de baixo quando estavam desgastadas. Muitos afirmavam que ela apenas lavava as partes mais encardidas de suas roupas, como barras e bainhas, para economizar dinheiro com o sabão das lavagens.

Ela economizava dinheiro até mesmo quando o assunto era saúde. Quando Ned, seu filho, quebrou a perna, ela não permitiu que ele fosse internado em uma boa clínica. Segundo Charles Slack, um autor que escreveu sobre a vida de Hetty, a perna de Ned nunca cicatrizou corretamente e, após anos de tratamento, teve de ser amputada.

Hetty ao lado de sua filha, Sylvia / Crédito: Getty Images

 

Já mais velha, Hetty se viu sozinha em casa: ela havia se separado do marido e os filhos tinham saído de casa. Assim, ela se mudava com frequência, muito para escapar de autoridades fiscais. Nessa época, inclusive, ela desenvolveu uma hérnia, mas se recusou a pagar a cirurgia, que custava 150 dólares.

A partir daí, a saúde da mulher apenas piorou: ela sofreu diversos derrames e passou a usar cadeira de rodas. Foi apenas em 1916 que Hetty Green morreu, aos 81 anos, na casa de seu filho, em Nova York, devido a mais uma série de derrames.

Após sua morte, seu patrimônio foi avaliado entre 100 milhões e 200 milhões de dólares, tornando-se a mulher mais rica do mundo àquela época. Toda a fortuna de Hatty ficou para seus filhos, Ned e Sylvia, que gastaram como nunca antes. Quando Sylvia morreu, em 1951, ela doou quase 2 milhões de dólares para diversas instituições — faculdades, igrejas e hospitais.


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