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10 curiosidades sobre a atroz Guerra do Paraguai, a maior da América Latina

Das crianças em batalha a falsa participação inglesa: descubra informações que talvez você não saiba sobre esse sangrento conflito

André Nogueira Publicado em 17/02/2020, às 06h00

Obra retrata a Batalha do Avaí
Obra retrata a Batalha do Avaí - Wikimedia Commons

A Guerra do Paraguai foi um conflito sul-americano que ocorreu entre 1864 e 1870, envolvendo uma aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai de Solano Lopez. Conhecida também como Guerra da Tríplice Aliança, ela ocorreu no cerne da formação dos Estados latino-americanos e é essencialmente uma guerra entre nações, o que a caracteriza como uma guerra moderna.

Conheça 10 fatos sobre esse conflito que marcou a história do continente.

1. Grande Paraguai

Operações militares da Guerra / Crédito: Reprodução

 

As condições pré-guerra dos países envolvidos passaram por dois mitos contraditórios: o de que o Paraguai era a maior potência da América do Sul na época e o de que o país era um fraco país agrário sem base econômica.

A realidade é que, desde o primeiro marechal Lopez, o Paraguai passava por um processo de modernização, cuja industrialização provinha, principalmente, de investimentos estrangeiros. A Inglaterra foi um dos principais responsáveis em transformar o local num país consideravelmente desenvolvido, mas não politicamente.

2. Guerra infantil

Com o desenvolvimento da Guerra e o início da decadência paraguaia, as tropas guaranis começaram a diminuir e Solano Lopez apelou para condições deploráveis de estratégia militar. Uma das principais foi o recrutamento de menores de idade (alguns de até 12 anos) para lutar contra as tropas profissionais da Tríplice Aliança e, como no Paraguai existiam castigos físicos contra trabalhadores, algumas dessas crianças lutavam mesmo com ausência de um braço, por exemplo, ou outros membros.

3. A falácia britânica

Um dos maiores mitos disseminados sobre o conflito é a de que ela só ocorreu por estratégia do Império Britânico, que teria fomentado o Brasil a entrar em conflito com o Paraguai, com o objetivo de destruir ambos os países. Mentira: o conflito ocorreu, principalmente, por atritos internos do continente, desde motivações econômicas até políticas, e o estopim envolveu um conflito civil no Uruguai e o imperialismo brasileiro na Bacia do Prata.

4. Uma gigante

A Guerra da Tríplice Aliança é o maior conflito armado da História da América do Sul. Um conflito de seis anos com mais de 600 mil mortos, entre civis e militares. Com consequências drásticas para todos os países envolvidos, o episódio tomou proporções inimagináveis, dado que todos imaginavam que seria uma guerra rápida.

5. Pressão do Imperador

Dom Pedro II / Crédito: Wikimedia Commons

 

Muitos historiadores concordam que a guerra poderia ter levado menos vidas se não fosse por insistência do Imperador Pedro II. A partir da tomada das principais bases do Paraguai, principalmente Humaitá, era claro que Lopez perdera a Guerra e que o conflito chegava ao fim.

Mas, o brasileiro insistiu em uma condição da aliança militar com a Argentina e o Uruguai de que a guerra só acabaria com a morte de Solano Lopez (condição essa que já não era cobiçada pelos países hermanos aos pés de 1870). Por força brasileira, que queria consolidar sua hegemonia no Prata, a Tríplice continuou dizimando as tropas paraguaias até tomarem Assunción e localizarem o ditador.

6. Roubo sentido

Marques de Olinda / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um dos momentos mais incômodos da guerra, na visão brasileira, foi a investida de Lopez contra o Marques de Olinda, um navio mercador convertido em máquina de guerra. Como represália contra a intervenção brasileira no Uruguai, o ditador ordenou a captura da embarcação, que ocorreu com sucesso: o navio Tacuari intercedeu a passagem do Marques de Olinda, que subia o rio rumo ao Mato Grosso, e o capturou. Lopez passou  a usar o navio contra tropas brasileiras.

7. Terra arrasada

Para o Paraguai, a guerra foi completamente destrutiva. Além da infraestrutura arrasada, o conflito levou à morte de três quartos da população nacional, sendo que, em 1870, apenas 200 mil paraguaios ainda restavam vivos, e destes, 90% eram mulheres. Entre os homens vivos, 75% eram crianças e idosos, segundo dados de Mânlio Gancogni e Ivan Boris.

8. Voluntários, mas nem tanto

No Brasil, foi criado o Voluntários da Pátria, programa de alistamento incentivado pelo patriotismo nascente. Além de realizarem uma campanha mentirosa entre escravos, prometendo sua alforria no retorno da Guerra, o programa ainda chegou mais longe: no início, deu certo, mas depois que a empolgação passou, o exército passou a sequestrar pessoas em festas públicas, encaminhando-as ao front enquanto estavam bêbadas ou transtornadas.

9. Doenças

Batalha do Avaí / Crédito: Pedro Américo

 

Apesar de o conflito ter sido bastante sangrento, uma das principais causas de baixas nos exércitos não era a arma de fogo, mas as patologias. Em meio a uma planície alagada, diversos soldados morreram por conta de doenças negligenciadas, principalmente a cólera.

10. Espólios guaranis

Com o fim da Guerra, o Paraguai foi depredado pelos vencedores. Boa parte de suas terras foram perdidas: entre os rios Apa e Branco, foi tudo anexado pelo Brasil. Para a Argentina, foi o território das Missões e o Chaco Central. O Uruguai não chegou a ter grande lucro, principalmente por ser um Estado submetido ao Brasil desde o seu nascimento.


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