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453 anos de mistério: Neste dia, em 1567, uma trágica explosão matava Lorde Darnley, esposo de Maria da Escócia

O nobre escocês foi encontrado morto após detonação da pólvora no porão do local onde estava, mas a presença de marcas de estrangulamento deixaram o caso mais complicado

André Nogueira Publicado em 10/02/2020, às 09h42

Lorde Darnley
Lorde Darnley - Wikimedia Commons

Em 1567, ocorreu um dos assassinatos mais insólitos da história, quando Henry Stuart, o Lorde de Darnley e esposo da rainha Maria da Escócia, se hospedava em Kirk o’Field (Edimburgo, Escócia) por conta de uma doença até hoje discutida. Alojado em um local próximo à esposa e filho, estava sozinho quando uma enorme explosão transformou a casinha em pó.

Isso porque os inimigos de Stuart passaram a noite enchendo os porões daquele local com pólvora. Às 2h da manhã, a explosão pôde ser ouvida da capital, reduzindo a localidade a escombros, enquanto o cadáver do nobre se espatifava em um jardim vizinho, ao lado do criado.

Porém, segundo o escritor de jornalismo histórico Magnus Magnusson, o corpo de Darnley possuía marcas que sinalizavam estrangulamento antes mesmo da explosão. Isso indicaria que o assassinato teria ocorrido antes. Segundo ele, a hipótese mais plausível é a de que o Lorde e o criado teriam sido acordados e tentaram fugir pela janela, sendo interceptados e mortos antes de saírem.

Rainha Maria e o marido / Crédito: Wikimedia Commons

 

A perda foi bastante sentida pelo reino da Escócia e a rainha Maria declarou quarenta dias de luto. Mesmo assim, várias pessoas afirmavam que a monarca estava incluída como participante do assassinato. Outro membro da corte foi rapidamente acusado de envolvimento: James Hepburn, o Conde de Bothwell. Ele foi descoberto depois que os sapatos de seu apoiador Archibald Douglas estavam na cena do crime.

Em abril daquele mesmo ano, mais informações bizarras sobre o trágico assassinato começaram a se revelar, gerando mais dúvidas. Numa ocasião, Bothwell e seus homens encontraram Maria na estada e lhe avisaram de uma possível contenda em Edimburgo, que lhe fornecia perigo. Então, Maria acompanhou o conde ao seu castelo em Dunbar, visando proteção.

Porém, quando chegaram ao local, Bothwell fez de Maria refém, a estuprou violentamente e a pressionou para que se casasse com ele, que havia se separado da esposa. Em pouco tempo, Bothwell se tornou Duque de Orkney e, ainda, foi realizado o casamento entre ele e a rainha. Em relato ao governo central, William Drury afirmou que, por mais que o caso parecesse forçado, na verdade era parte de um plano.

Conde de Bothwell / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo esse relato, Maria teria demonstrado interesse em Bothwell anteriormente e que ela fazia constantes visitas a ele na época em que estava doente. Isso criou grandes suspeitas em relação a esse bizarro caso, até hoje mal compreendido. Cada vez mais, se acreditava que Maria esteve diretamente envolvida com o assassinato, e que uma das razões do evento tenha sido sua relação com o conde de Bothwell.

Um dos poucos documentos que assegurariam a participação de Maria no crime são as Cartas de Caixão, originadas na Conferência de York em 1568, teoricamente, Porém, muitos acreditam que essas fontes são falsas, feitas para incriminar a Rainha. O tema é até hoje discutido em universidades diversas pela Europa.


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