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Serial killer ou bruxa: A misteriosa saga de Alice Kyteler

Kyteler matou três maridos e se tornou a primeira mulher a ser condenada por bruxaria na Irlanda

Alana Sousa Publicado em 23/07/2020, às 14h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Getty Images

A Irlanda viveu o terror da caça às bruxas. Centenas de mulheres morreram em julgamentos, no mínimo, absurdos. Uma das acusadas mais lembradas da história é Alice Kyteler, que poderia não ser uma bruxa, mas esteve envolvida em mortes misteriosas e teve um fim surpreendente.

Proveniente de família rica, Alice foi a primeira mulher a ser condenada por bruxaria na Irlanda. Nascida em 1263 e moradora do condado de Kilkenny, aos 20 anos, ela casou-se com William Outlaw, de origem nobre, mas em pouco tempo seu marido morreu em circunstâncias misteriosas. O casal gerou um filho, batizado de William, em homenagem ao pai.

Logo após a morte de Outlaw, Kyteler selou matrimônio com o também rico, Adam de Blund. Sem surpresas, Adam faleceu de maneira enigmática. A cada marido que morria, Alice herdava a fortuna deixada por eles, mas até então, ninguém levantava qualquer suspeita contra a viúva.

A irlandesa encontrou um novo parceiro, Richard de Valle, que assim como seus outros companheiros, chegou a óbito em pouco tempo. Entretanto, Kyteler não imaginava que seria com seu quarto marido, John Poer, que sua vida tomaria rumos drásticos.

A bruxa do condado de Kilkenny

Em 1324, Poer começou a adoecer, assustado, o homem expressou seu medo de que pudesse estar sendo envenenado pela esposa. Em seu leito de morte, John assinou um testamento deixando todos os seus bens para Alice e seu filho primogênito, William.

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Ilustração de como seria Alice Kyteler / Crédito: Divulgação

Quando John Poer morreu, outros membros da família, incluindo seus filhos de casamentos anteriores acusaram Alice de usar veneno e bruxaria para matar o marido, com o objetivo de ficar com a herança.

Richard de Ledrede, bispo de Ossory, recebeu as denúncias e iniciou uma campanha para que a viúva fosse presa e queimada na fogueira, alegando que ela utilizava magia negra para matar pessoas e enriquecer. Temendo por sua vida e de seu filho, Kyteler fugiu para a Inglaterra. Um ano depois, após acreditar que os rumores haviam cessado, Alice retornou para a Irlanda, e novamente encontrou-se perseguida pela Inquisição.

Mesmo após apelar para seus contatos poderosos no condado, Kyteler foi capturada e enviada às masmorras do Castelo de Kilkenny, onde os acusados de bruxaria aguardavam julgamento. Ela, William e seus servos responderiam pelo crime de heresia, sacrifício para o demônio, assassinato, caso sexual com o diabo e produção de poções para cristãos corruptos.

Uma de suas ajudantes mais próximas, Petronilla de Meath, de 23 anos, foi torturada e supostamente confessou todos os crimes ao qual o grupo era acusado. Petronilla foi queimada viva na fogueira em 1324. Apesar de ter sido forçada a dar depoimento sobre suas práticas malignas, o relato de Meath foi o suficiente para que Alice também fosse condenada à morte.

Destino incerto

Com a data da execução cada vez mais próxima, Kyteler pediu ajuda para seu ex-cunhado e político, Roger Outlaw, que junto com William organizou a fuga da bruxa. Os guardas das masmorras foram espancados e o caminho para a liberdade estava definido.

Alice fugiu e seu destino é até hoje desconhecido, alguns acreditam que ela se mudou para a Inglaterra, levando consigo a filha de Petronilla. Seu amado William continuou em Kilkenny e foi acusado de bruxaria, mas sua sentença foi diferente: durante anos ele frequentou três missas por dia e contribuiu dando dinheiro para os pobres.


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