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Polêmicas e excentricidades: A vida sexual de Heliogábalo, o controverso imperador romano

Nutrindo grande satisfação pela realização dos desejos carnais, o governante teve vários amantes homens

Gabriel Fagundes Publicado em 03/07/2020, às 11h00

Heliogábalo sendo levado por mulheres escravas
Heliogábalo sendo levado por mulheres escravas - Getty Images

A manifestação do impulso sexual está para homem assim como o mar está para os peixes. É algo intrínseco a natureza humana para a propagação das espécies. Por isso, o sexo tornou-se um aspecto que transcende a história. Onde podemos citar um dos seus personagens, que nutria grande satisfação pela realização dos desejos carnais: o imperador romano Heliogábalo.

O jovem tinha apenas 17 anos quando era um verdadeiro hedonista e promíscuo. Tinha amantes de ambos os gêneros, usava mulheres nuas para carregá-lo enquanto estava em cima de uma carruagem, onde também as chicoteava. Tinha hábitos sádicos; em uma ocasião, seus convidados foram amarrados a uma roda d'água, que girou lentamente e os afogou.

Chegou a jogar ouro e prata de uma torre para observar as pessoas que se jogavam para pegar, além de permitir que leopardos e leões fossem libertados entre seus convidados enquanto faziam a refeição. Um perverso que se excitava com suas perversidades.

Rosto de Heliogábalo / Crédito: Divulgação

 

Em aspecto de verossimilhança histórica a professora de clássicos de Cambridge, Mary Beard, compara o comportamento de Heliogábalo com o de Muammar al-Gaddafi para mostrar como certas atitudes são atemporais. Os exemplos não são únicos: o general líbio desfilava com roupas militares cobertas de medalhas espúrias, Heliogábalo vestia-se inteiramente de sedas preciosas e se enfeitava de pedras raras; Gaddafi tinha seu esquadrão feminino de guarda-costas que usava batom e salto alto; já o garoto Imperador sonhava em ter um senado composto inteiramente por mulheres. Ambos amantes das extravagâncias, e torturadores por gozo.

Heliogábalo conseguiu superar em muito Gaddafi na infâmia. Além disso, no que tange a sua aparência o soberano de Roma foi considerado um jovem extraordinariamente belo, com um corte de cabelo militar curto e olhos brilhantes, onde dedicou seus primeiros anos à adoração do deus sol local Elagabal, em homenagem a quem fora nomeado.

Os rituais feitos eram uma mistura de genuína convicção religiosa e autoglorificação, pois como escreveu o historiador Herodiano: “Na cabeça, ele usava uma coroa em forma de tiara, brilhando com ouro e pedras preciosas”.

Essas fantasias exibicionistas do adolescente logo seria motivo de grande preocupação, que levantaria rumores de que ele seria filho ilegítimo de seu sobrinho, o imperador assassinado e, seu sucessor natural. Contudo, como se isso já não bastasse, quando seu conselheiro principal, o eunuco chamado Gannys o advertiu para viver uma vida mais moderada e prudente visando não alienar aqueles cujos impostos custariam seus excessos, ele ficou furioso e esfaqueou o homem mais velho. Por mais jovem que fosse, Heliogábalo mostrou-se um déspota obstinado e cruel.

Fora tudo isso, ele também desdenhava de seus senadores, chamando-os como “escravos em togas”, quando começou a executar alguns deles à vontade e sem julgamento. Ademais, um homem chamado Pomponius Bassus, foi despachado simplesmente porque Heliogábalo decidiu que queria se casar com sua esposa.

No entanto, ele mudou de ideia logo após a execução de Bassus e, no ano 219 d.C., acaba tomando a filha de um aristocrata, chamada Julia Paula como esposa; expulsando-a do palácio assim que descobriu uma marca sua de nascença.

Pintura famosa do imperador - Getty Images

 

Embora desejasse garantir sua dinastia com muitos herdeiros, ele ficou muito aquém da representação dos ideais masculinos esperados de um imperador. Preferia ficar na companhia de mulheres do palácio, cantando, tecendo e usando uma rede de cabelo, maquiagem para os olhos e roupas vermelhas. “Com o rosto mais elaborado do que uma mulher modesta, ele estava efeminadamente vestido com colares dourados e roupas macias, dançando para todo mundo ver nesse estado”, escreveu um historiador antigo. Os soldados detestaram vê-lo naquela condição.

Sua compulsão pelos prazeres chegou a tal ponto que consultou alguns médicos para mudar de sexo; e tomou vários amantes homens, supostamente selecionados com base no tamanho de suas partes íntimas, para satisfação dos seus apetites. O senador e historiador Dião Cássio descreve que ele se referia a Hiérocles como seu “marido” e tinha o prazer de andar pelos cantos com olhos negros depois de insistir que seu amante o espancasse. Posteriormente, montou seu próprio bordel dentro do complexo do palácio, onde além de nu solicitava clientes com uma voz murmurante.

Em suma, porque insanidades nunca têm fim, enquanto continuava reinando suas excentricidades eram cada vez maiores. O que fez o povo de Roma desistir de esperar um comportamento coerente de seu imperador. Heliogábalo foi morto pelos seus soldados, que se rebelaram contra sua figura após muitos massacres.


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