Matérias » Entretenimento

Utopia tecnológica: Como os Jetsons previram o futuro

...e no que erraram

Vitor Lima Publicado em 18/09/2019, às 09h00

None
- Reprodução

O futuro não devia parecer promissor aos norte-americanos em 1962. Cinco anos antes, a União Soviética havia começado a corrida espacial com o Sputnik e, em seguida, colocado o primeiro ser humano no espaço, Yuri Gagarin. O que estava em jogo não era orgulho ferido: o programa espacial soviético indicava que eles podiam atacar os EUA com mísseis intercontinentais. 

Em setembro daquele ano, na véspera da da Crise dos Mísseis em Cuba, que a Hanna-Barbera lançou a ficção científica mais deslavadamente otimista da história. No mundo de 2062, não existem comunistas ou armas nucleares.

George Jetson e sua família vivem numa utopia tecnológica, onde objetos do cotidiano ganham adjetivos como espacial ou supersônico. Carros voam - em congestionamentos - e a jornada de trabalho dura três horas (extenuantes, para George) de apertar botões. E ninguém é gordo por falta de exercício.

O desenho pode ser uma comédia datada, mas acertou algumas previsões. Logo na abertura, pedestres na calçada rolante aparecem compenetrados em seus aparelhinhos portáteis - um deles até parece um tablet. George acompanha as brincadeiras do filho Elroy através de uma câmera. Os jornais são vistos em telas.

George acompanha as brincadeiras do filho através de uma câmera / Crédito: Reprodução

 

O aspirador de pó é um robô (como o Roomba, lançado em 2002). Num ponto bem menos utópico, câmeras são usadas para patrulhar os empregados, que podem ser demitidos por opiniões descuidadas. Talvez a previsão mais certeira seja o centro de quase todas as piadas: a tecnologia é milagrosa, mas dá pau quase a toda hora.

Crédito: Reprodução

 

Os Jetsons dos anos 60 só tiveram 24 episódios - uma continuação, em 1985, era menos bem inspirada. A razão do seu fracasso foi ser avançada demais para a época. Foi a primeira produção em cores transmitida pelo canal ABC, num tempo em que 97% dos lares norte-americanos tinham TVs em preto e branco.