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Fera da Penha: O crime brutal que chocou o Brasil

Na década de 1960, uma criança de quatro anos foi friamente assassinada por uma amante rejeitada

Alana Sousa Publicado em 07/01/2020, às 12h00

Capa da revista Flagrante, ilustrando a Fera da Penha
Capa da revista Flagrante, ilustrando a Fera da Penha - Wikimedia Commons

Neyde Maria Maia Lopes era uma mulher comum, de quem ninguém jamais suspeitaria o instinto selvagem que o fim de um relacionamento poderia causar. Aos 23 anos, porém, tudo mudou e ela entrou para a história do país como uma das assassinas mais cruéis, apelidada de Fera da Penha.

No fim de 1959, Neyde, que morava no Rio de Janeiro, conheceu Antônio Couto Araújo, um homem casado, pai de duas meninas, Solange e Tânia, de quatro anos. Após cerca de seis meses de relacionamento, Antônio, que fazia promessas de amor para a amante, desistiu de largar sua família para viver um romance com ela. Foi então que a mulher teve uma ideia brutal.

Durante meses, Neyde cercou a família do amado e aprendeu os hábitos da família, além de se aproximar de Nilza, esposa de Antônio.

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Antônio, Nilza e Tânia / Crédito: Wikimedia Commons

O crime

No dia 30 de junho de 1960, Neyde saiu de casa disposta a colocar seu plano em prática e se vingar de Antônio. Utilizando o nome Odete, ela se infiltrou no Instituto Joemar e sequestrou Tânia, a filha do amante. Perambulou com a criança durante o início da tarde pelo bairro da Penha, até que Nilza foi à escola levar lanche para a filha e descobriu que ela havia ido embora com outra mulher.

Os pais, desesperados, contataram a polícia sobre o sequestro e as autoridades passaram o dia procurando Tânia, mas sem sucesso.

Por volta das 20h, Neyde levou Tânia para o matadouro de bois, no bairro da Penha, e com um revólver calibre 32 efetuou um tiro em direção à nuca da criança. Para tentar esconder o corpo, a assassina incendiou o cadáver da vítima e fugiu do local.

Testemunhas avistaram Neyde deixar a cena do crime e comunicaram a polícia, que foram até o matadouro e descobriram o corpo de Tânia em meio às chamas. Diversos jornais publicaram a foto da criança morta, gerando uma comoção nacional.

Julgamento e condenação

Durante as investigações para encontrar o responsável pela morte brutal da menina, Antônio confessou sua relação extraconjugal com Neyde, o que a colocou como a principal suspeita do assassinato. Levada para interrogatório, a criminosa negou as acusações e foi liberada em seguida. A imprensa confrontou a suspeita — referindo-se a ela como Fera da Penha —, que após muita insistência confessou o crime.

A Fera da Penha / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em entrevista ao jornalista Saulo Gomes, ao ser questionada sobre a motivação do crime, Neyde respondeu: “Por que você está me perguntando isso? Quer saber? Eu só não matei a família toda porque não tive tempo”.

Moradores da região ameaçavam invadir a delegacia onde a homicida estava presa, então, a polícia decidiu realizar uma transferência, que foi rodeada de tumulto. Uma viatura, usada para despistar o povo, foi destruída por cerca de 300 pessoas que esperavam do lado de fora do prédio.

Dias depois, a reconstituição do crime precisou ser cancelada, pois o risco de linchamento da mulher era muito alto. Neyde foi realocada para a Penitenciária Lemos Brito, em Bangu, para esperar julgamento.

Em outubro de 1963, a Fera da Penha foi condenada a 33 anos de prisão. Após 15 anos de sentença, em 1975, Neyde foi libertada por bom comportamento, e passou a viver com os pais, até a morte deles.

Hoje, com 82 anos, a assassina vive isolada no bairro de Cascadura, Rio de Janeiro, raramente fazendo uma aparição pública. E o caso da Fera da Penha caiu em esquecimento com o decorrer dos anos.


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