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Galeazzo Ciano: Mussolini ordenou a execução do próprio genro

O ditador fascista acusou o marido de sua filha, Edda, de traição. Ato causou a separação da família Mussolini

Alana Sousa Publicado em 20/02/2020, às 13h00

Benito Mussolini e o Conde Ciano
Benito Mussolini e o Conde Ciano - Getty Images

Galeazzo Ciano, ou conde Ciano, mal podia prever o seu trágico destino quando casou com a filha de Benito Mussolini, Edda Mussolini. Herói da Primeira Guerra, ele era adepto ao Partido Fascista, tanto que, em 1936, passou a exercer o cargo de líder Ministério de Assuntos Exteriores, viajando para a América Latina, como o Brasil para tratar de questões diplomáticas.

A relação com o sogro era tranquila, até que, com o início da Segunda Guerra, Ciano se opôs a entrada da Itália no Eixo. Ainda assim, o conde permaneceu junto com os fascistas, tendo ocupado, por um curto período de tempo, o cargo de ministro de Propaganda. Apesar de seu importante papel para com o partido, seus colegas nunca demonstraram total confiança nele. O ministro registrava em seus diários a opinião contrária à posição de sua nação na Guerra. O documento foi publicado após sua morte, sob o título Diário do conde Ciano 1939-1943.

Em um dos trechos, o político escreveu: “A tragédia italiana, na minha opinião, teve início em agosto de 1939, quando, tendo ido a Salzburgo por minha própria iniciativa, de repente me vi diante da cínica determinação alemã de provocar o conflito. A aliança havia sido assinada em maio. Eu sempre me opus a isso e, durante muito tempo, assegurei-me de que as ofertas alemãs persistentes fossem permitidas”.

Galeazzo Ciano / Crédito: Getty Images

 

Mussolini, no entanto, mantinha o genro por perto. Como sabia de sua inteligência, e possível ameaça, o ditador nomeou-o como Embaixador da Itália, uma alternativa para tentar diminuir sua influência. Porém, a partir de 1943 a situação política e pessoal de ambos teve uma reviravolta.

Em julho de 1943, aconteceu a reunião do Grande Conselho do Fascismo, na qual o líder fascista foi deposto do cargo e substituído por Pietro Badoglio. Ciano estava presente e votou a favor da exoneração de seu sogro. Mussolini então foi preso e passou meses como refém dos nazistas.

“Na minha opinião, não havia nenhuma razão para ficarmos presos na vida e na morte ao destino da Alemanha nazista. Em vez disso, era a favor de uma política de colaboração, porque, dada a nossa posição geográfica, podemos e devemos detestar os 80 milhões de alemães, brutalmente estabelecidos no coração da Europa, mas não podemos ignorá-los”, Ciano continuou a expressar seus descontentamentos em textos pessoais, até que, sem escolha, precisou ir contra seus princípios.

Galeazzo Ciano e sua esposa, Edda Mussolini Ciano / Crédito: Getty Images

 

O conde então, assustado e pensando em fugir com a família para um país neutro do conflito mundial, auxiliou os alemães na operação que libertou Benito. Para sua surpresa, o acordo foi quebrado por parte dos alemães, e ele foi entregue para as tropas italianas.

Galeazzo foi preso na República Social Italiana — estado criado por Mussolini para tentar reaver o poder —, acusado de alto grau de traição, juntamente com outros membros do Conselho. Apesar de inúmeros pedidos para que o ditador perdoasse o genro, feitos inclusive por sua filha, Edda, o líder fascista ignorou todos e ordenou que Ciano fosse executado.

Em janeiro de 1944, Conde Ciano foi amarrado a uma cadeira e morto pelo pelotão de fuzilamento. Marco que separou a família Mussolini e criou o desprezo de Edda pelo pai. Pouco mais de um ano depois, o próprio Mussolini seria executado, linchado e exposto em praça pública.


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