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Na cama com os romanos: O sexo em um dos impérios mais poderosos do mundo

As relações políticas e de dominação masculina marcaram a sexualidade na sociedade romana

Alana Sousa Publicado em 22/01/2020, às 13h00

Pintura de James Barry, mostra os deuses romanos Júpiter e Juno
Pintura de James Barry, mostra os deuses romanos Júpiter e Juno - Getty Images

Muito se houve falar sobre o sexo na Grécia Antiga. A sociedade que é conhecida por ter inventado a democracia, também se destaca por suas práticas sexuais, nas quais a homossexualidade, a masturbação e a prostituição eram hábitos comuns. No entanto, a Roma Antiga também possui características peculiares quando se diz respeito à vida sexual.

Paul Chrystal desenvolveu uma ampla pesquisa em artefatos romanos, como artes, literatura e documentos para escrever o livro In Bed with the Romans (Na Cama com os Romanos, em tradução livre). A obra, lançada em 2015, revela os costumes e desejos sexuais no cotidiano romano.

Marte e Vênus, deuses romanos / Crédito: Getty Images

 

Desde quando o sexo foi inventado, — para os romanos, em 7510 a.C. —, ele foi usado como uma ferramenta importante para constituir o Estado de Roma. A relação sexual logo passou a ser também uma relação política. Em muitos casos o estupro foi uma forma de alcançar poder, como Lucretia, que foi violentada por Sextus Tarquinius após ter desempenhado papel essencial na instalação da república romana.

O sexo era, na maioria das vezes, visto como um dever. Isto para os homens, pois lhes traria satisfação e prazer. Já para as mulheres era para reprodução da linhagem, o senso comum era que elas não esperassem receber nenhuma gratificação do ato. O casamento também é outro forte exemplo de dominação masculina. Para os maridos, trair a esposa com jovens solteiras e homens mais novos era algo normal, das esposas era esperado a compreensão.

A homossexualidade também era aceita para aqueles do sexo masculino. Apesar de existirem algumas regras, como a de que os homens deveriam sempre penetrar, pois os que eram penetrados não seriam dignos de respeito e menosprezados — conhecidos como efeminados. O sexo lésbico, por sua vez, era mal visto, já que nenhuma mulher deveria realizar a penetração, elas eram conhecidas em latim como: aquelas que esfregavam.

Nomes de destaque

Imperatriz Teodora / Crédito: Getty Images

 

Algumas personalidades romanas quebravam esses moldes, como é o caso de Teodora, imperatriz de Justiniano I, que trabalhava em um bordel em Constantinopla, realizando peças teatrais que incluíam encenação de sexo. A imperatriz foi uma importante figura na luta dos direitos das mulheres, e da proteção delas contra abusos físicos e sexuais.

Nero, um dos mais famosos imperadores de Roma, viveu romances tanto com mulheres como com homens. Após matar a esposa grávida, ele procurou uma substituta que se parecesse com ela, não encontrando, usou o ex-escravo Sporus para ficar no lugar de sua falecida parceira.

Imperadores tinham o hábito de se vestirem de mulheres, Calígula aparecia em seus banquetes com roupas que remetiam à deusa Vênus. Júlio César viveu por um tempo como uma mulher na corte do rei Nicomedes IV. Travestir-se era normal, de certa forma, apesar de não ter um conceito social que explique a razão romana para isso.