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Há 89 anos, começava a Revolução de 1930

A posse de Getúlio Vargas como presidente do Brasil, por meio de um golpe de Estado, marcou o fim da política do café com leite e da República Velha

Isabela Barreiros Publicado em 03/10/2019, às 18h04

Vargas e outros líderes da revolução em Itararé, São Paulo, depois da deposição do presidente Washington Luís
Vargas e outros líderes da revolução em Itararé, São Paulo, depois da deposição do presidente Washington Luís - Wikimedia Commons

No dia 3 de outubro de 1930, colocou-se em prática a Revolução de 1930, a partir da tomada do quartel-general da 3ª Região Militar de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Comandado regionalmente por Osvaldo Aranha e Flores da Cunha, o ataque foi resultado de muitas reinvindicações organizadas pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e o próprio Rio Grande do Sul.

Durante a República Velha, que foi de 1889 a 1930, a presidência era alternada entre representantes escolhidos por São Paulo e Minas Gerais. Esse processo ficou conhecido pelo nome de política do “café com leite”.

No entanto, durante as eleições de 1929, as lideranças paulistas e o atual presidente Washington Luís não seguiram o plano, indicando Júlio Prestes, de São Paulo, em vez de apoiar o candidato de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Revoltados, os mineiros romperam totalmente o acordo, organizando-se com a Paraíba e o Rio Grande do Sul para formar uma oposição. Como consequência, em agosto de 1929, a Aliança Liberal foi formada.

Além disso, outros acontecimentos foram responsáveis por gerar revolta em parte da população brasileira. A crise de 1929, que teve como auge a quebra da bolsa de Nova York, a eclosão de revoltas militares e os problemas gerados pela divisão das oligarquias nacionais, principalmente, passaram a ter força a partir dos anos de 1920, levando, também, ao movimento armado de 1930.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Em meio a essas articulações, tenentes, militares de uma jovem oficialidade do Exército, desenvolveram o movimento tenentista, que seria um fator importante para o êxito da Revolução de 1930. Visando um novo movimento radical, eles estavam insatisfeitos com a situação política, econômica e social do país, assim como outros brasileiros.

Em setembro de 1929, os candidatos apoiados pela Aliança Liberal iniciaram a campanha política — Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul, para presidente, e João Pessoa, da Paraíba, para vice. O resultado, em março do ano seguinte, revelaria a vitória de Júlio Prestes, governista. No entanto, ele foi impedido de tomar posse, mesmo tendo sido eleito democraticamente pela maioria da população brasileira.

A revolta teve início em 3 de outubro de 1930. Tenentes tomaram quartel-general da 3ª Região Militar de Porto Alegre, tropas gaúchas começaram a marchar rumo a São Paulo e governantes de alguns estados brasileiros, como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo, foram derrubados. Os embates resultaram em muitas mortes em todo o país.

Getúlio Vargas e João Pessoa / Crédito: Wikimedia Commons

 

No dia 24 de outubro, Washington Luís foi deposto de seu cargo de presidente e Júlio Prestes foi impedido de assumir, sendo exilado. Em novembro, Getúlio Vargas assume o Governo Provisório, marcando, assim, o fim da República Velha no Brasil.

Com amplos poderes, o governante revogou a Constituição de 1891 e começou a tomar decisões pelo país através de decretos. Ele nomeou interventores em quase todos os estados, — exceto por Minas Gerais, — os quais, em maioria, eram apoiadores do golpe que já tinham participado do movimento de 1930.

Vargas permaneceria no cargo de presidente do país de 1930 até 1945, passando por três fases. Primeiramente, o gaúcho governou pela fase provisória, passando pela constitucional e terminando seu legado por uma ditadura populista, conhecida como Estado Novo.