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Ao mesmo tempo: Otto Skorzeny, o nazista que planejou matar Stalin, Churchill e Roosevelt

Responsável por organizar o resgate de Mussolini, o oficial de Hitler ganhou credibilidade para executar o plano mirabolante

André Nogueira Publicado em 31/12/2020, às 11h00

Otto Skorzeny, idealizador do plano
Otto Skorzeny, idealizador do plano - Wikimedia Commons

Alemanha, outubro de 1943. Membros da Inteligência decodificam uma mensagem da Marinha estadunidense, que carregava a informação de que os três maiores líderes dos Aliados – Josef Stalin, Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt – planejavam uma reunião em Teerã, para elaborar um plano de contenção do Eixo.

Para os nazistas, essa era uma informação de ouro, oportunidade de projetar um plano arrojado de sequestro ou assassinato dos chefes da URSS, Reino Unido e EUA. Isso, virtualmente, garantiria a vitória do Reich de Mil Anos.

Hitlerem pessoa empreendeu a formação da equipe que seria responsável pela morte dos Três Grandes. A ideia era uma operação que usaria o método chamado de Salto em Distância. Para o planejamento, o Führer se dirigia a um tenente-coronel austríaco da SS chamado Otto Skorzeny.

Operação Eiche, comandada por Skorzeny / Crédito: Wikimedia Commons

 

No mês anterior, Skorzeny tinha comandado uma genial equipe responsável pelo resgate do ditador Benito Mussolini junto ao general Kurt Student (Luftwaffe) e ao major Otto-Harald Mors (Fallschirmjäger). Tinha destaque entre os líderes militares por suas ideias mirabolantes e estratégias funcionais.

Enquanto isso, na Ucrânia ocupada pelos nazistas, um grupo de guerrilheiros soviéticos realizava operações de espionagem. Um dos membros dessa equipe era o oficial naval Nikolai Kuznetsov, fluente em alemão e que se passava por oficial do Reich.

Kuznetsov era amigo de Ulrich von Ortel, Sturmbannführer da SS. Ortel passou detalhes do plano de assassinato dos Três durante uma noite de bebedeira entre os colegas.

Ele também ofereceu uma reunião entre Skorzeny e o espião soviético. Rapidamente, essa informação chegou à Segurança da URSS.

Num primeiro momento, os soviéticos decidiram não intervir, mesmo cientes da situação. Os nazistas, então, enviaram seis operadores de rádio à capital persa, com equipamentos e armas, sendo monitorados pelos espiões da URSS. Numa interceptação de rádio, descobriu-se o envio de mais uma equipe, responsável pelo sequestro ou assassinato.

Chegada dos líderes

Roosevelt, o primeiro a chegar, foi alertado do perigo. Como a embaixada dos EUA, onde Roosevelt ficaria, e a embaixada da URSS, onde ocorreria a Conferência, ficavam a uma milha de distância, foi decidido que Roosevelt se hospedaria nas instalações soviéticas.

Esta foi uma excelente estratégia: com o quarto cheio, a delegação norte-americana não podia falar uma palavra sem ser facilmente escutada pelo governo russo. Este detalhe faz com que alguns historiadores considerem que o plano de Salto em Distância, de tamanha audácia, seria um exagero criado para que os soviéticos pudessem hospedar Roosevelt.

Enquanto isso, o Exército Vermelho localizou e prendeu a equipe de rádio da Alemanha, forçando a transmissão de uma mensagem de cancelamento da operação nazista. Isso foi o fracasso do plano de Skorzeny.

Stalin, Churchill e Roosevelt reunidos durante a Conferência de Ialta / Crédito: Getty Images

 

Porém, essa derrota não manchou a imagem do tenente-coronel, que continuou sendo a principal referência em operações secretas não-ortodoxas na Alemanha.

Por exemplo, ele comandou, no ano seguinte, uma equipe de alemães vestidos de americanos até o front na Batalha de Bulge. Resultado: uma confusão na equipe norte-americana.

Skorzeny foi capturado em 1945, acusado de crime de guerra por vestir alemães com uniformes de outra nação, mas foi absolvido com a descoberta de que os EUA faziam a mesma coisa. Ficou preso até 1948, quando escapou do centro de detenção e se mudou para a Europa, morrendo em 1975 de câncer no pulmão.


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